| Vinicius Bomfim |
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| Paulo Carlotto e Lucila Bacci falam sobre os baixos índices e a importância de realizar o exame |
A Secretaria Municipal de Saúde segue com o difícil desafio de convencer mulheres entre 50 e 69 anos a realizar a mamografia. As dores durante a realização do exame e o medo do diagnóstico de câncer são os principais motivos apontados pelos gestores de saúde pública para explicar a baixa procura, que, inclusive, deixa Bauru bem aquém das metas estabelecidas pelo SUS. Para tentar reverter esse quadro, um cadastro no portal da Secretaria de Saúde convoca as pacientes. Em paralelo, o Ministério Público Federal (MPF) acompanha o assunto desde 2014, quando instaurou um inquérito para apurar o cenário preocupante (leia mais abaixo).
O médico Paulo Carlotto, diretor do Departamento de Unidades Ambulatoriais da Secretaria de Saúde, destaca os desafios para aumentar a procura. "Razões culturais das mulheres também existem, assim como o medo de sentir dor durante o exame. Por isso, a conscientização é importante", explica.
Estudos indicam que a mamografia é a melhor maneira de detectar tumores nas mamas, porém, o percentual de mulheres que buscam o exame em Bauru está muito abaixo do estabelecido pelo SUS, que é de 70% da população feminina dentro da idade estabelecida.
Em 2018, de acordo com dados obtidos pelo MPF com o Grupo Técnico de Avaliação e Informação em Saúde (Gais), órgão vinculado à Secretaria de Estado da Saúde, Bauru atingiu só 37% da meta dos exames.
Os números constam no inquérito do MPF e mostram que, em anos anteriores, o cenário também é preocupante no município (veja o quadro abaixo).
23 MIL MULHERES
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E olha que a parcela de mulheres inseridas no público-alvo em Bauru é grande. De acordo com levantamento da Secretaria Municipal de Saúde, há 23 mil mulheres na cidade dentro da idade preconizada para a realização do exame, que deve ser feito bianualmente e sem a necessidade de pedido médico.
Em 2019, segundo Lucila Bacci, diretora de Divisão da Secretaria Municipal de Saúde, o índice de cobertura na busca de mulheres também está aquém da meta. "A gente tem conseguido atingir uma média de metade do total", revela a diretora.
Em janeiro, inclusive, uma carreta equipada com mamógrafo, resultado de uma parceria entre a Secretaria de Estado da Saúde e o Grupo Amigas do Peito de Bauru, atendeu pacientes no Parque Vitória Régia. Cerca e 500 exames foram realizados.
CADASTRO ONLINE
Além da carreta, outra estratégia lançada neste ano pelo município para mudar o cenário é um cadastramento que pode ser feito no site da prefeitura (https://www2.bauru.sp.gov.br/inscricao.aspx?i=2).
O sistema funciona como um pré-agendamento virtual para a realização do exame. Com base na informação, posteriormente, uma equipe da secretaria direciona a paciente para a realização da mamografia em uma unidade de saúde mais próxima da residência e faz o acompanhamento.
A ideia é buscar a compreensão das mulheres sobre a necessidade de entender o exame como hábito para saúde. Desse modo, Lucila Bacci elogia as campanhas de conscientização, como o Outubro Rosa, mas diz que o público-alvo precisa exercitar a prevenção em todas as épocas do ano. "É muito importante. A mulher precisa entender o exame como uma rotina, não como um exame de campanha. Temos que, constantemente, relembrá-las desse direito", complementa Lucila Bacci.
O exame
A mamografia é parecida com um raio-X. O mamógrafo possui duas placas que pressionam as mamas, uma de cada vez, por alguns segundos. O objetivo é fazer imagens para detectar tumores. A imagem fica registrada em uma chapa, que segue para laudo médico.
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‘O que foi feito não funcionou’, critica procurador da República
Conforme o JC tem acompanhado, o inquérito instaurado pelo procurador da República Pedro de Oliveira Machado investiga a pouca procura pela mamografia e levanta dados históricos que revelam um desempenho ruim na busca ativa por mulheres em toda a região. Especificamente em Bauru, a eficiência do rastreamento de pacientes, em nenhum momento, chegou perto dos 70% determinados pelo SUS.
O pior ano é o 2013, que teve eficácia de apenas 4%. O melhor cenário é o do ano passado, quando o rastreamento atingiu 37% da mulheres entre 50 e 69 anos.
Para o procurador, não estão descartadas ações judicias como uma segunda via para melhorar o rastreamento, caso bons resultados não sejam comprovados pelos gestores públicos. "Estamos orientando os gestores. Primeiro, temos que reconhecer que o problema existe e é grave e, em segundo lugar, o que foi feito não funcionou", destaca Pedro de Oliveira Machado.
"Bauru está muito aquém. E isso vai nos trazer problemas. O poder público precisa estimular e, ao mesmo tempo, atender todas as mulheres", complementa.
Caso o número de procura aumente de fato diante das estratégias adotadas, o município deverá buscar formas para atender à demanda de mulheres. Dois equipamentos para a realização do exame estão em fase de compra. "Se tivermos aumento, o município vai buscar com os órgãos as formas de ampliação do atendimento. Existe a proposta de compra de mais dois mamógrafos para o município", diz Lucila Bacci.

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