| Samantha Ciuffa |
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| Carmen Lúcia Silva, Matheus Antônio Dantas Silva, Rosaura Franco: afeto contra as dificuldades |
O que mais chama a atenção no estudante Matheus Antônio Dantas Silva, de 13 anos, é a sua maturidade, adquirida, muito provavelmente, depois de passar por 36 procedimentos cirúrgicos. Mineiro de Ituiutaba, o garoto tem fissura labiopalatal e Síndrome de Pierre Robin. Desde que se conhece por gente, faz uma parte do tratamento no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho), em Bauru.
Mãe do adolescente, a dona de casa Carmen Lúcia Silva, de 38, relata que tudo começou ainda na gestação. Aos três meses, ela descobriu que o bebê teria fissura labiopalatal. Quando ele nasceu, outra surpresa: o diagnóstico de Pierre Robin, uma condição que afeta diversos órgãos do corpo humano.
Tanto que Matheus já teve colite, gastrite, esofagite, refluxo, hérnia, febre convulsiva, derrame pulmonar, pneumonia, meningite e catapora. Hoje, ele toma 35 medicamentos diferentes por dia. Os remédios, em sua maioria, são cedidos pelos próprios médicos, que ganham amostras grátis.
Com três meses de vida, o pequeno chegou a Bauru. Como não tinha o peso necessário, ficou internado por 30 dias. Depois, fez a primeira das próximas 35 cirurgias.
Iniciado o tratamento da fissura labiopalatal, Matheus também precisou cuidar da Síndrome de Pierre Robin, em um hospital de doenças raras, situado na cidade de Aracaju, em Sergipe.
Agora, Carmen tenta transferi-lo para o Hospital de Base de Bauru (HBB), fato que permitiria que o garoto fizesse ambos os tratamentos em um único município, afinal, as viagens são caras e desgastantes.
NA BATALHA
Embora grande parte dos procedimentos seja bancada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o adolescente também tem um convênio, pago pelo pai, que não é mais casado com Carmen.
Como a mãe não consegue trabalhar, conta com o Benefício de Prestação Continuada (BPC), vinculado à Lei Orgânica da Assistência Social (Loas), que garante um salário mínimo mensal à pessoa com deficiência.
O valor é pequeno, mas Carmen recebe outro tipo de ajuda. "A madrinha do Matheus, Rosaura Franco, que é aposentada, nos leva de carro para todos os lugares. Fazemos campanha para arrecadar o dinheiro da gasolina e do pedágio", acrescenta.
No entanto, Matheus perdeu o Loas. Segundo a mãe, o sistema mudou e ele precisa cadastrar a sua digital para recuperar o valor. Se demorar muito, Carmen recorrerá à Justiça.
Quando está em Bauru ou Aracaju, a mãe faz faxina na casa de terceiros. Assim, consegue pagar pela estada dela e da madrinha de Matheus, enquanto o rapaz fica internado. Geralmente, tal rotina se repete mensalmente.
Em Ituiutaba, a família vive em uma casa simples, cujo proprietário abriu mão do aluguel. "Só pago água e luz", reforça.
O adolescente saiu de Bauru na madrugada do último dia 28, mas retornará em 20 de julho para fazer a 37.ª cirurgia. "Ele está com raquitismo, ou seja, o corpo não absorve os nutrientes dos alimentos. Precisa colocar sonda", explica a mãe.
DIA A DIA
Devido à sua condição, Matheus estuda à distância. A escola envia as tarefas e ele executa com um largo sorriso no rosto.
A vontade de aprender o fez chegar ao 7.º ano do Ensino Fundamental sem nunca ter pisado em uma sala de aula. "Não é porque é meu filho, mas ele é iluminado", exalta a dona de casa.
Já o adolescente, que está com dificuldades de falar, porque fez uma cirurgia recente, diz apenas que o futebol é a sua verdadeira paixão. Flamenguista, ele sempre carrega uma bola consigo. Questionado sobre a forma pela qual encara a vida, o garoto tem a resposta na ponta da língua. "Tranquilamente", finaliza.
MAIS APOIO
Se alguém quiser ajudar, basta depositar qualquer quantia para as seguintes contas: Caixa Econômica Federal (agência: 2382; conta: 01300040781-5), Caixa Econômica Federal (agência: 3532; conta: 01300022593-5) e Bradesco (agência: 3251-4; conta: 0033966-0). O CPF de Carmen é o 044.344.736-54.
Veja vídeo:
ORAÇÃO, FÉ E CURA
Recentemente, Matheus também foi diagnosticado com câncer no fêmur. Depois de 15 dias e inúmeras orações, o garoto fez um segundo Raio-X, que mostrou que o tumor havia desaparecido.
A família, então, acredita em milagre. Inclusive, o adolescente carrega consigo uma pétala de Nossa Senhora da Piedade e a considera o seu amuleto da sorte. "Eu tenho fé de que vou me curar", desabafa o menino.
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AMOR AO PRÓXIMO
A batalha de Matheus é admirável, mas a da sua mãe, Carmen Lúcia Silva, não fica para trás. Aos 7 dias de vida, a mulher foi abandonada pela mãe biológica. Os avós, então, passaram a criá-la. Já adulta, ela teve a sua primeira filha, Marielle - hoje, a garota atingiu a maioridade.
Porém, a menina nasceu com osteopatia, condição apelidada de "ossos de vidro". A primogênita demorou para andar e a dedicação de Carmen era exclusiva a ela.
Em seguida, a situação começou a melhorar. Há 1 ano e 2 meses, Marielle teve o pequeno Luiz Phelipe. "Foi a primeira vez em que uma mulher com osteopatia fez um parto natural", destaca.
Depois, Carmen engravidou de Yasmin, que, atualmente, possui 14 anos. Saudável, ela vive com o pai. "Não consigo cuidar de todo mundo", desabafa, entristecida.
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