| Vinicius Bomfim |
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| Cooperativa Ecologicamente Correta de Materiais Recicláveis de Bauru (Coopeco) no Parque Paulista, região do Ferradura Mirim |
| Fotos: Samantha Ciuffa |
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| Gisele Moretti é a representante da Coopeco e da Ascam |
Devido à falta de matéria-prima, a Coopeco e a Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Bauru e Região (Ascam) utilizam um caminhão próprio para coletar o lixo orgânico e, em seguida, separar o seletivo. Depois, o município leva o rejeito ao Aterro Sanitário. Inédita, a ação teve início no último dia 19 e, desde então, ambas as cooperativas perceberam que, do total dos produtos recolhidos, 40% são materiais reaproveitáveis. Diante disso, sugerem uma campanha de conscientização.
De acordo com a representante da Coopeco e da Ascam, Gisele Moretti, inicialmente, as instituições fizeram uso de um caminhão-prensa do município, destinado à coleta do lixo orgânico, para recolher este mesmo tipo de material no Mary Dota, local com elevado número de habitantes.
No entanto, o veículo apertava o produto e contaminava o que era reciclável. Então, o grupo decidiu recolher os resíduos com o caminhão da Coopeco.
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| Titular da Semma, Sidnei Rodrigues fala sobre o porta a porta |
Paralelamente, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) manteve o serviço nos endereços onde a cooperativa não passava.
No primeiro dia de trabalho, os catadores conseguiram juntar 28,8 toneladas de lixo orgânico, dos quais os 40% citados eram recicláveis. "Fizemos a análise gravimétrica, que aprendemos com estudantes da USC e da Unesp. A partir dela, conseguimos identificar o que era vidro, molhado, seco e rejeito", explica.
O estudo da cooperativa, que terminou no último dia 12, avaliou os resíduos coletados em aproximadamente quatro semanas, essencialmente, no Mary Dota, por abrigar alta concentração de moradores e extenso corredor comercial.
No decorrer da pesquisa, Gisele constatou, também, que o motivo pelo qual as pessoas não segregam o lixo envolve o trabalho dos atravessadores. "Muita gente relatou que parou de separar porque eles abriam, reviravam, pegavam o que queriam e deixavam a bagunça em frente às casas", observa.
NOVA CAMPANHA
Logo, a cooperada acredita que a conscientização seja a solução para o problema. A ideia da nova campanha, que surgiu após discussões junto à Emdurb, é distribuir sacos de lixo coloridos, porta a porta.
Ainda de acordo com Gisele, a intenção é firmar uma parceria com o setor privado, que deverá disponibilizar, pelo menos, 10 mil sacos retornáveis. "Precisamos pensar no meio ambiente", justifica.
O grupo deverá fazer o porta a porta, de início, no Mary Dota, onde a Coopeco já executa parte da coleta do lixo orgânico para, depois, separar o seletivo. Se o projeto for aprovado pela Prefeitura de Bauru e der certo, abrangerá o restante da cidade.
Nesta primeira iniciativa, cujo início está previsto para o próximo mês, a Coopeco contará com o apoio das demais entidades, que são a Cootramat e a Cooperbau. As três ficarão responsáveis por conversar com cada morador e distribuir os sacos de lixo.
ACEITAÇÃO
Titular da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Sidnei Rodrigues vê o projeto com bons olhos.
"O estudo mostrou que o lixo deve ser separado antes de recolhido, senão há contaminação e perda dos recicláveis. Portanto, a ideia da conscientização porta a porta é interessante", argumenta.
Conforme o JC já noticiou, a Semma paga a Emdurb para fazer a coleta seletiva e orgânica em todo o município.
No final de 2017, houve uma alteração neste acordo, momento em que a empresa passou a receber por tarefa, não quantidade.
Gisele afirma que a mudança, associada à intervenção dos atravessadores e à falta de fidelização, tenha provocado a queda do número de recicláveis. Já o secretário discorda.
"Nós pesamos todos os caminhões e houve redução muito pequena, nada que merecesse uma possível modificação contratual", finaliza.
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Aterro mínimo
Como o JC divulgou, o secretário da Infraestrutura e do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Marcos Penido, disse, no último dia 11, em Bauru, que o chamado aterro mínimo deverá ser a nova aposta ambiental. Para Marcos, o consumo cresce, assim como a geração de lixo. "Coloco como meta e defendo a questão do aterro mínimo, onde o reciclado é separado, o molhado vira adubo e o que tem poder calórico se transforma em energia. O que sobra, algo em torno de 12% a 14%, vai para o aterro", defendeu. A ideia de promover a conscientização porta a porta se encaixa neste parâmetro. Alguns municípios paulistas, como Assis, já o fazem e conseguem juntar elevada quantidade de material reutilizável.
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