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Destinações clandestinas de animais geram investigação

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Fotos: Reprodução/Facebook
Um dos cães estava envolto em uma manta: caso vira apuração policial

Animais foram encontrados na rua Raja Gebara, que liga Rondon à Getúlio Vargas

A Delegacia de Crimes Ambientais da Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru está investigando ao menos quatro descartes clandestinos de animais que ocorreram na cidade nos últimos dois anos. O mais recente deles foi descoberto no último sábado, na rua Raja Gebara, uma das vias de terra que fazem a ligação entre a rodovia Marechal Rondon e a avenida Getúlio Vargas, na zona sul do município.

Em uma caixa de papelão abandonada no local, estavam um gato branco e um cão peludo de cor marrom, que usava fralda. Ao lado, em um saco plástico preto, envolto em uma manta, foi encontrado outro cão, também peludo, de cor branca, com aparência semelhante à das raças lhasa apso e shih tzu e com elástico rosa prendendo os pelos da cabeça.

Os pets já estavam em decomposição, parcialmente devorados por outros animais, como urubus - e, por isso, as imagens não serão mostradas nesta reportagem. Porém, ainda era possível observar que os dois cães tinham materiais típicos de internação presos ao corpo, como esparadrapo e cateter, dispositivo comumente utilizado para injetar medicação endovenosa.

"É uma situação parecida com a dos outros casos que estamos investigando. E as evidências nos levam a crer que o descarte irregular tenha sido feito por clínicas veterinárias. Sabemos que a maioria trabalha com responsabilidade em Bauru, mas pode ser que algumas, até mesmo de fora da cidade, tenham feito esta desova após a morte destes animais", detalha o titular da Delegacia de Crimes Ambientais, Dinair José da Silva.

Estes últimos três animais foram encontrados na tarde de sábado pela bióloga Fátima Luiza de Maria Schroeder, presidente da ONG Naturae Vitae, durante um passeio com seus cães de estimação.

"Registrei boletim de ocorrência nesta segunda-feira e estamos compartilhando as fotos na esperança de que alguém reconheça os animais ou mesmo a manta, que é estampada. Se isso acontecer, fica mais fácil chegar à pessoa que cometeu este crime", comenta ela.

CONTROLE

Titular da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Sidnei Rodrigues, explica que, para obterem licença de funcionamento, as clínicas e pet shops precisam manter contrato com empresas especializadas em dar a destinação correta a resíduos de serviços de saúde veterinários. "E, para renovarem este alvará, esta documentação precisa ser apresentada anualmente", aponta.

Porém, como o pagamento é feito de acordo com a demanda de cada estabelecimento, controlar se, de fato, cada um deles está realizando o descarte adequadamente de todos os animais mortos é tarefa praticamente impossível.

"Por isso, nós dependemos muito de denúncias, até porque este material pode ter origem de clínicas clandestinas", acrescenta o secretário. As denúncias, inclusive com fotos, podem ser enviadas por WhatsApp para o número (14) 9 9164-1571.

Como a decomposição dos animais contamina o solo e pode gerar consequências à saúde de seres humanos, os responsáveis, se identificados, respondem por crime previsto no artigo 54 da Lei de Crimes Ambientais, que prevê pena de reclusão de um a quatro anos. Ou seja, o criminoso pode, de fato, cumprir a pena preso, além de pagar multa, estimada em ao menos R$ 5 mil.

"Além disso, os donos dos animais podem ingressar com ação na Justiça contra os responsáveis para reparação de danos", completa o delegado.

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