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| Vacina pentavalente protege contra uma série de doenças, como difteria, tétano e coqueluche |
As mães de crianças de dois meses de idade estão vivendo uma situação preocupante em Bauru. Elas não conseguem imunizar os filhos com a vacina pentavalente, que protege contra doenças como difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e a bactéria haemophilus influenza tipo B. A cidade está com o estoque de imunização zerado para essas enfermidades. O problema gera ainda mais riscos no inverno, uma vez que o contágio aumenta porque as pessoas acabam ficando mais próximas umas das outras.
Em nota divulgada ontem, a Secretaria Municipal de Saúde confirma que todas as unidades básicas estão com o estoque zerado da vacina e que não recebeu a carga do medicamento, cujo envio é de responsabilidade do Ministério da Saúde. Por isso, até mesmo listas de espera foram criadas (leia mais abaixo).
De acordo com pasta federal, o Brasil compra o medicamento por intermédio do Fundo Estratégico da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), já que não existe, no País, um laboratório produtor.
O problema do abastecimento se deu em todo o País, complementa o Ministério da Saúde, porque o Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS) reprovou os lotes recentes encaminhados por um laboratório credenciado pelo Opas. Outras cidades do Estado também estão na mesma situação. São José do Rio Preto, São Carlos e Campinas são exemplos.
ENVIO
Para tentar driblar o problema, o Ministério da Saúde teria pedido a substituição do laboratório. Embora o governo federal tenha informado que, desde o dia 11 deste mês, encaminha aos Estados mais de 400 mil doses da vacina pentavalente, Bauru continua desabastecida.
Também por nota encaminhada ao JC, a Secretaria de Estado da Saúde confirmou que a responsabilidade da aquisição e distribuição das vacinas pentavalentes é do Ministério da Saúde.
Cabe ao Estado, segundo o comunicado, apenas realizar a redistribuição para os municípios, à medida que os lotes chegam. "Nos últimos meses, o envio das doses pelo órgão federal para São Paulo tem sido irregular e em quantidades insuficientes, impactando na redistribuição", diz a nota.
A secretaria diz ainda que o Estado busca um remanejamento entre regiões, mas não deu previsão para abastecimento para Bauru.
'RISCO É GRANDE'
O infectologista Taylor Olive alerta que as mães que não conseguiram acesso à vacina devem tomar cuidado com a exposição das crianças. "É uma situação muito séria. Muitas doenças que a pentavalente previne não estão erradicadas do mundo e, com o nível de imigração muito grande, corremos o risco de inserção dessas doenças. A inclusão do sarampo no Brasil é um exemplo. Estamos falando de crianças muito pequenas e não ter a vacina é um risco grande".
