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Empresas e moradores reclamam de quedas de energia e relatam prejuízos

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 5 min

Vinicius Bomfim
O gerente de serviços comerciais da CPFL, Pedro César de Aro (em pé), afirmou que empresa está aberta em buscar alternativas aos problemas apresentados

A Câmara Municipal realizou uma audiência pública, ontem à tarde, por conta das constantes quedas de energia em diversas regiões de Bauru, prejudicando empresas e moradores.

A audiência foi solicitada pelo vereador Manoel Losila (PDT), presidente da Comissão de Obras da Câmara. A CPFL Paulista, concessionária para o fornecimento de energia, mandou um diretor para o encontro e prometeu buscar alternativas para os problemas apresentados.

Empresários do Distrito Industrial III reclamam que há picos de energia com frequência, e que já houve desligamento da rede para reparos em pleno horário comercial, durante a semana. Jurandir Posca, proprietário de uma empresa no local, afirmou que teve prejuízo acima de R$ 6 mil neste mês em uma dessas oscilações. Em outros casos, precisou dispensar funcionários e teve atraso de entregas. "O que estamos pedindo para a CPFL é mudar os dias de manutenção na rede, colocar isso aos sábados, pois as empresas trabalham em meio período ou não abrem, então fica mais fácil para a gente se programar. Estamos conseguindo um bom contato com a CPFL aqui em Bauru, estão nos atendendo quando acontece algo, mas esse ponto precisa melhorar", afirmou.

O vereador Natalino da Silva (PV) lembrou que no Distrito Industrial IV o risco de quedas de energia aumentará conforme novas empresas se instalarem. Localizado na região do Núcleo Mary Dota, o Distrito IV ainda tem pouca estrutura, mas é onde há mais áreas disponíveis para cessão a empresas que estão em fase de ampliação em Bauru, e por isso há essa preocupação. "Esse novo distrito ainda carece de uma infraestrutura completa, e o abastecimento de energia é uma das preocupações pois conforme mais empresas chegarem, aumenta a possibilidade de uma sobrecarga do sistema e de quedas de energia", disse.

O presidente da Associação de Moradores da Vila Dutra, Jesus Adriano dos Santos, pontuou que a CPFL vem fazendo a substituição de postes de madeira pelos de concreto, e que também há oscilações de energia em sua região. Ele afirma que funcionários da Unidade Básica de Saúde (UBS) da Vila Dutra já precisaram correr com doses de vacina após quedas de energia, levando os insumos para outras unidades. Também houve reclamações de moradores do Santa Edwirges.

Segundo a CPFL, cada consumidor de Bauru tem, em média, 3,8 quedas de energia por ano, ficando em média 5h30 sem energia anualmente. Porém, como esta é uma média, em algumas regiões o índice de apagões é maior. O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) reconheceu que há um esforço da empresa, e pede mais diálogo para ajudar o setor produtivo.

INVESTIMENTOS

O gerente de serviços comerciais da CPFL Paulista, Pedro César Andreo de Aro, considerou importante receber as demandas dos empresários e moradores. "O nosso padrão de qualidade é reconhecido como um dos melhores do País, e temos investido para reduzir a média de quedas de energia, por isso conhecer os pontos onde ainda temos problemas é necessário, e vamos buscar soluções para resolver", afirmou.

Ainda no começo da audiência, o gerente mostrou alguns investimentos que a CPFL fez em Bauru nos últimos anos e outros que estão previstos. A empresa possui 173.614 consumidores em Bauru, sendo 161.215 residenciais, 9.777 comerciais, 1.080 do poder público, 714 industriais, 818 rurais, e dez de consumo próprio da companhia. São quatro subestações de distribuição, com 1.268 quilômetros de rede primária e 1.516 quilômetros secundários. Para o período entre 2019 e 2020, a CPFL afirma que serão R$ 16 milhões em investimentos em obras de transmissão e ampliação do sistema, R$ 4 milhões em melhorias do sistema elétrico, R$ 3 milhões em manutenção e R$ 600 mil em obras de automação da distribuição de energia. Em dois anos, a soma é de R$ 24 milhões em todos os setores.

Está prevista ainda uma segunda base operacional, no Parque São Geraldo - já há uma na Vila Falcão. Também está sendo ampliado o combate a fraudes e a formação de novos eletricistas. Ainda no encontro de ontem, o sindicalista Jesus Garcia sugeriu a criação de um Conselho Municipal de Energia, que discutiria com mais profundidade o assunto. Para isso, contudo, seria necessária proposta da prefeitura.

Além do vereador Manoel Losila, participaram da audiência os vereadores Carlinhos do PS (PV), Carlão do Gás (PMDB), Natalino da Silva (PV), José Roberto Segalla (DEM), Telma Gobbi (SD), Yasmim Nascimento (PSC) e Pastor Luiz Barbosa (PRB). A Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciesp, Procon e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) mandaram representantes no encontro de ontem.

Iluminação parada

O secretário municipal de Obras, Ricardo Olivatto, compareceu e frisou que a ampliação da rede de iluminação pública ficou parada desde 2014 por conta de disputa na Justiça, após decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em transferir os ativos da iluminação pública aos municípios. Bauru obteve liminar favorável para que a CPFL siga com a manutenção, porém, a ampliação fica para o município, que está contratando empresa para instalar 800 novos pontos de luz até o ano que vem. Uma proposta de concessão ou Parceria Público Privada (PPP) está em andamento e, caso seja efetivada, pode resolver a situação.

Arborização e cabos subterrâneos: planos

O vereador José Roberto Segalla (DEM) perguntou ao diretor da CPFL como a empresa vem trabalhando para evitar quedas de energia por causa de galhos de árvores. Aro frisou que já apresentou plano de arborização para a prefeitura, com a proposta de substituição de árvores de grande porte por espécies menores, porém, ainda aguarda um retorno da Semma. Ele ainda pediu a melhoria no serviço de informação por telefone, especialmente quando há interrupção de energia. Já a vereadora Telma Gobbi (SD) perguntou a respeito da possibilidade de colocação de cabos subterrâneos.

O gerente pontuou que a técnica é mais cara e isso elevaria o valor final das contas aos consumidores.

Procon critica poucos ressarcimentos da CPFL

A coordenadora regional do Procon estadual, Valéria Cunha, afirmou que há pouca resposta da CPFL em pedidos de ressarcimento de consumidores que sofrem com quedas de energia e tem algum aparelho elétrico queimado ou danificado. "Muitos acabam buscando a via judicial, pois a via administrativa é difícil", lembrou. O gerente da empresa, Pedro de Aro, mostrou que em 2017 foram 283 ressarcimentos, chegando a R$ 300 mil. Em 2018, foram 178 ressarcimentos com montante de R$ 200 mil, e em 2019, até agora, 153 ressarcimentos ao custo de R$ 210 mil, todos realizados apenas com consumidores de Bauru.

O Procon, contudo, entende que o número é muito pequeno ainda.

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