| Samantha Ciuffa |
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| Lucas Willian Fermino, Rafael Minatogawa, Kim Kataguiri, André Luiz Alvarez, Arthur do Val ‘Mamãe Falei’ e Gabriel Moutinho estiveram ontem no Espaço Café com Política, do JC |
O deputado federal Kim Kataguiri (DEM) e o deputado estadual Arthur do Val 'Mamãe Falei' (DEM) estiveram em Bauru para participar de evento de lançamento do Movimento Brasil Livre (MBL) na cidade, realizado na noite de ontem, no Exxe Eventos. Antes, os parlamentares concederam entrevista ao JC, no Espaço Café com Política, e fizeram suas avaliações dos governos federal e estadual após quase sete meses de mandato do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e do governador João Doria (PSDB).
No geral, ambos fazem avaliações positivas, mas afirmam que são independentes e refutam a ideia de pertencer a base governista. O movimento pretende ainda ampliar o número de vereadores pelo País. Eles estavam acompanhados dos membros do MBL no município.
O deputado federal Kim Kataguiri considera o governo Bolsonaro satisfatório. "No geral, o saldo é positivo. Formou uma equipe com critérios técnicos. O principal problema é a condução política, pois o presidente, muitas vezes, entra em polêmicas desnecessárias", afirma.
O DEM tem três ministros no atual governo - Tereza Cristina, da Agricultura; Luiz Henrique Mandetta, da Saúde; e Onyx Lorenzoni, ministro-chefe da Casa Civil. A sigla tem mais membros no primeiro escalão do que o próprio partido do presidente, o PSL, com dois ministros filiados. "Mas não me considero da base governista, nossa atuação é independente. Nem mesmo o PSL é efetivamente base, pois, em algumas matérias, não votou tudo com o governo. A única votação em que o DEM fechou questão e votou totalmente a favor foi a reforma da Previdência", cita.
Eleito pela primeira vez no ano passado, Kim Kataguiri considera ter bom diálogo com parte dos partidos declarados como oposição, como PSB e PDT, enquanto outras legendas, como PT, PSOL e PCdoB, ficam mais distantes. "Alguns partidos de oposição estão dispostos a dialogar, mas outros apenas obstruem as votações, ainda que sejam a favor do projeto", alfineta.
MANIFESTAÇÕES
O MBL surgiu em 2014, em meio ao momento turbulento da política nacional, que vinha de protestos em 2013, e depois seguiu com o pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), com manifestações de grande porte em 2015 e 2016. Em seguida, os protestos diminuíram consideravelmente, ainda que a situação econômica do País continuasse frágil. "As pessoas vão para as ruas por alguma insatisfação. No ano passado, teve campanha eleitoral e, agora, as pessoas estão em um momento de avaliação das mudanças, esperando os resultados deste começo de governo. Acho que, até o final deste ano, a tendência vai ser essa", frisa.
O MBL participou de atos a favor do governo Bolsonaro, em maio, e houve discordâncias com outros grupos de direita que apoiam o presidente. O deputado estadual Arthur do Val 'Mamãe Falei' entende que ocorreu mal entendido. "As pessoas que foram para as ruas estavam a favor de pautas republicanas. E nós nunca defendemos fechamento de Congresso e STF, então, repudiamos quem use manifestações para defender isso. Talvez erramos na forma como fizemos a crítica, mas não no mérito dela", cita.
ESTADO
Na avaliação do deputado estadual 'Mamãe Falei', o governador João Doria acerta na parte fiscal, mas erra na ideologia. "Este é um governo longe de ser liberal. Na parte da gestão, está indo bem, com os planos de desestatização. Mas, em outras coisas não, como no aumento do salário dos fiscais de renda, a proibição do consumo de bebida alcoólica em postos de combustíveis e o veto ao projeto de lei que permitia a venda de bebidas alcoólicas em estádios. São atitudes longe do que se esperaria de um governo liberal. Mas era a melhor opção que tínhamos durante a eleição passada", comenta.
Filiado ao partido do vice-governador Rodrigo Garcia (DEM), o parlamentar afirma ter pouco contato com ele. "Falei com o Rodrigo duas vezes neste ano. Minha participação no DEM é apenas para ter um partido para disputar a eleição. Nunca participamos da vida partidária", comenta. Ele ainda critica a atuação da Assembleia Legislativa. "Antes, para o governo do Estado, era muito fácil aprovar qualquer projeto. Agora, é fácil. Ou seja, mudou pouco, a Assembleia continua sendo um puxadinho do governador, não há independência de fato", finaliza.
Documentário sobre impeachment será lançado em setembro
No mês de setembro o MBL vai lançar o documentário 'Não vai ter golpe', produzido pelo movimento e que será exibido em cinemas de São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba. Depois, vai para outros municípios e algumas negociações estão em andamento para disponibilizar em serviços de streaming. "O que pretendemos mostrar é que, ao contrário do que muitos pregam, não teve golpe de Estado em 2016, no impeachment. Fazemos um contraponto a outros documentários que apresentam essa perspectiva de golpe de Estado", finaliza Kataguiri.
