Polícia

Descanse em paz? Não para os ladrões

Rafael de Paula
| Tempo de leitura: 3 min

Arquivo Pessoal
Estragos: para furtar as molduras de bronze, ladrões destruíram as imagens dos falecidos

Mais uma vez, o Cemitério da Saudade, um dos mais tradicionais de Bauru, é alvo de ladrões e vândalos. O que deveria ser um cenário de paz tem sido espaço fácil para a prática de furtos, gerando tristeza e revolta dos proprietários de jazigos. Só desta vez, foram cerca de 40 túmulos danificados, de acordo com informações extraoficiais. O alvo dos invasores foram as molduras de bronze que decoram as fotos das pessoas falecidas.

O sumiço dos enfeites e o cenário de depredação estão sendo notados desde terça-feira por trabalhadores terceirizados, que relataram o fato à reportagem do JC. Em maio deste ano, como noticiou o JC, cerca de 300 túmulos apresentavam sinais de vandalismo, com furtos frequente de imagens, placas e crucifixos de bronze.

Nesta semana, o zelador terceirizado José Orlando Terra voltou a se deparar com o problema. "Notamos, primeiro, um túmulo com sinais de furtos. Já na manhã desta quinta, percebemos que mais sepulturas estavam danificadas. O que chamou atenção é que, antes, esse furto de moldara não ocorria, porque elas são peças pequenas. Mas as coisas estão mudando", diz o zelador.

O que chamou a atenção dos funcionários no local foi a quantidade e o tipo do objeto levado. "A gente acha que esses bronzes não foram parar em um ferro-velho qualquer. Achamos que foi para alguém que trabalha com derretimento de bronze", teoriza José Orlando.

'É ANGUSTIANTE'

Vinicius Bomfim
Vera Lúcia Garcia procurou a polícia: “É angustiante ver as fotos dos seus pais todas quebradas”

Avisada pelo zelador na manhã de ontem, a aposentada Vera Lúcia Garcia era só decepção quando foi registrar o boletim de ocorrência (BO) na Polícia Civil. As fotos dos parentes que adornavam a sepultura da família são, agora, só cacos. Para levar sete molduras em bronze do túmulo, os ladrões retiraram as fotografias e jogaram tudo no chão.

"É um prejuízo que não tem preço. É angustiante ver as fotos dos seus pais todas quebradas. Até quando vamos aguentar isso sem nada ser feito? É lamentável", diz a mulher, que vai restaurar as peças quebradas.

Ela cobra providência da Emdurb, responsável pelo local. "Eu vou ter que emoldurar novamente as fotos que quebraram. O poder público precisa ter a responsabilidade, mesmo que o túmulo seja particular. Como isso acontece? Não é de hoje que temos um abuso como esse", diz.

Dois boletins de ocorrência de furto no interior do Cemitério da Saúde foram registrados na tarde de ontem na Polícia Civil.

SEGURANÇA

Alguns dos trabalhadores do cemitério atribuem a volta dos furtos à falta de segurança no local. Na reportagem publicada em maio, o JC mostrou que um empresário chegou a instalar câmeras com o próprio dinheiro para vigiar o jazigo da família no Cemitério da Saudade.

Na época, o diretor de Manutenção e Modais da Emdurb, Daniel Chan Escobar, garantiu que existiam seis equipamentos, localizados em pontos considerados críticos, e todos operavam perfeitamente.

"A segurança lá é zero. Não tem vigia, nem durante o dia e nem à noite. E as câmeras não funcionam. Tudo fica lançado à sorte", rebate José Orlando.

O zelador acredita que os ladrões podem ter entrado no final da tarde, antes do fechamento dos portões e praticado a ação logo na sequência. Para sair, os bandidos podem ter pulado o muro, driblando a concertina.

Emdurb: responsabilidade é do dono

Em nota, a Emdurb informou que a responsabilidade pelos túmulos é dos próprios donos, que recebem da Prefeitura de Bauru a concessão perpétua da sepultura. Dessa forma, segundo a empresa municipal, ela não é responsável por quaisquer objetos deixados nos cemitérios.

O posicionamento é embasado no Decreto Municipal 13.063/2016, que regulamenta as atividades nas necrópoles públicas.

Mesmo assim, a Emdurb afirmou que registrou boletim de ocorrência (BO) e que caberá à Polícia Civil investigar o caso.

Orientou a população, ainda, que "evite adornar seus jazigos com objetos de valor, que possam chamar a atenção de criminosos" e que "o cemitério é uma área pública e não conta com seguranças para proteção deste tipo de patrimônio".

A Emburb não confirmou a quantidade de túmulos envolvidos nesta ocorrência e nem quais as medidas que pretende tomar para a segurança no local.

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