Política

Capitalização deve voltar a ser discutida, diz Arnaldo Chinaglia

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Samantha Ciuffa
Arlindo Chinaglia (PT) esteve em Bauru e criticou a reforma

Uma espécie de poupança na qual o trabalhador aplica o dinheiro para garantir a aposentadoria futura, a capitalização fazia parte da proposta inicial da reforma da Previdência, mas o Congresso retirou a ideia antes de aprovar, em primeiro turno, o restante do documento. No entanto, o deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP) acredita que o tema voltará a ser discutido.

O parlamentar, que esteve em Bauru e região nesta semana, votou contra a reforma da Previdência. "É uma proposta absolutamente cruel. Hoje, as pessoas têm a possibilidade de se aposentarem por tempo de contribuição. Com a nova proposta, a regra deixará de existir", acrescenta, em entrevista ao Café com Política, do JC.

Além disso, Chinaglia pontua uma série do que considera malefícios decorrentes da mudança. "Para receber o benefício 'integral', a pessoa deverá contribuir por 40 anos. Na iniciativa privada, temos uma brutal rotatividade de mão de obra. Estudos mostram que, a cada ano, o trabalhador qualificado consegue pagar por apenas nove meses", diz.

O parlamentar também critica a redução do valor do benefício. "Chamei de integral, mas a forma de calculá-lo mudou. Hoje, você considera 80% das melhores contribuições. Após a Reforma, a conta será feita com 100% delas, fato que diminuirá a aposentadoria em 10%", defende.

O governo federal inseriu a capitalização na sua proposta inicial, mas não passou pelo Congresso. Atualmente, a Previdência Social funciona por repartição, ou seja, cada indivíduo contribui, conforme o poder aquisitivo do próprio salário, e o valor total fica guardado em um fundo.

Há, ainda, a solidariedade entre as gerações, afinal, quem é aposentado tem o sistema financiado por aquele que está na ativa. "Com a capitalização, você acaba com o regime da Previdência Social, que garante a seguridade", argumenta.

TRANSIÇÃO

De acordo com o deputado, Jair Bolsonaro (PSL) propôs a mudança do sistema de repartição para o de capitalização. "Nele, cada trabalhador abrirá uma conta em um banco e fará uma aplicação financeira. A única garantia do modelo é de que os bancos ganharão muito dinheiro", critica.

Ainda sob o ponto de vista de Chinaglia, o texto editado será aprovado em segundo turno. Contudo, o governo federal deverá fazer com que uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) tramite paralelamente. Ela abordará questões como a capitalização, além da inclusão dos municípios e estados na Reforma da Previdência.

Ontem, inclusive, o ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a defender a capitalização.

O governo também visa privatizar estatais, como o Sistema Eletrobrás. Segundo Chinaglia, a instituição tem R$ 179 bilhões em ativos. "Bolsonaro quer vendê-la por R$ 18 bilhões. Se a ideia se concretizar, chutaremos a escada do desenvolvimento", conclui o deputado federal.

Reconstrução do PT

O deputado federal Arlindo Chinaglia destaca que os partidos políticos são formados por “homens e mulheres”. Portanto, diz que não há qualquer instituição humana sem virtudes e vícios. Em vista disso, aponta a necessidade de reconstrução do PT. Segundo ele, a principal característica da sigla diz respeito à defesa dos mais pobres. “No momento em que virou governo, o PT se envolveu em polêmicas, criadas, não necessariamente, pelo partido”, observa.

 

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