Brasília - O ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) deixou a audiência pública da Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia na Câmara nesta quarta-feira (7) escoltado após bate-boca com deputados.
Após questionar Salles sobre propostas do governo para conter o desmatamento na Amazônia e sobre mudanças no Fundo Amazônia, o deputado Nilto Tatto (PT-SP) acusou o ministro de ser "office boy de um modelo de desenvolvimento que quer destruir os recursos naturais e comprometer a vida no futuro".
O deputado também disse que Salles era o "melhor ministro da Agricultura em ministério do Meio Ambiente". A fala do parlamentar provocou um tumulto na Casa. Deputados saíram em defesa do ministro enquanto outros cobravam respostas sobre planos para combater o desmatamento.
Em resposta, Salles pediu respeito. "Não admito que o senhor me trate desse jeito. Eu não sou office boy de coisa nenhuma". O ministro ainda respondeu ao comentário sobre o ministério da agricultura exaltando empresas mineradoras e a ministra Tereza Cristina (Agricultura).
"Se fosse realmente uma questão de ministério da Agricultura, o que não é verdade, mas se fosse, eu teria grande orgulho de defender uma atividade que emprega as pessoas nesse país e que cuida do meio ambiente e que faz um bom serviço para nossa sociedade. Não aceito que isso seja demonizado."
Tatto também questionou o ministro sobre o suposto anúncio prévio de operações de fiscalização contra desmatamento no site do ministério, medida que colocaria em risco o sucesso das ações.
Salles disse que não houve aviso prévio de ações de fiscalização.
Caça baleia
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, desqualificou as cobranças que a Noruega tem feito às mudanças no Fundo Amazônia, principal programa do País de combate ao desmatamento. Em audiência no Senado, Salles disse que a Noruega, que responde por 94% das doações de R$ 3,4 bilhões para o fundo, possui passivos ambientais.
"A Noruega é o pais que explora petróleo no Ártico, eles caçam baleia. E colocam no Brasil essa carga toda, distorcendo a questão ambiental", declarou o ministro, ao comentar as negociações sobre o Fundo Amazônia
Os governo da Noruega e Alemanha ainda não se posicionaram oficialmente sobre o que será feito de suas doações atuais ou futuras.