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Mesmo com mágoa, a fé no reencontro

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Nem mesmo a tristeza provocada pelo abandono é capaz de apagar a esperança de muitos filhos que sonham, um dia, estabelecer laços afetivos com os pais biológicos. A esperança nutrida por estas pessoas demonstra a força deste elo.

Nesta página, o JC conta as muitas dificuldades enfrentadas por filhos que não tiveram a presença paterna. Os nomes completos dos entrevistados não serão divulgados.

Carregando um histórico doloroso, Ingrid, 28 anos, ainda alimenta o desejo de reencontrar o pai, com quem não convive desde pequena. Após tentativa frustrada de aproximação, a grande decepção veio quando ela completou 18 anos: o pai a procurou para conversar e, meses depois, Ingrid descobriu que era uma armadilha. "Ele pediu para assinar um papel e confiei. Depois, soube que era uma declaração de que eu não precisava da ajuda financeira dele. Foi muito triste. Tudo o que eu queria era a presença e não dinheiro", revela.

Já o filho de Letícia nunca teve contato com o pai, nem por telefone. Atualmente, o garoto tem 10 anos e decidiu que, ao completar 15, irá em busca de seu passado. "Moro com meus pais e eles deram total apoio. É um desejo que iremos respeitar", conta Letícia, hoje com 30 anos.

Nos primeiros anos de vida, a confusão do menino foi tamanha que, por um bom tempo, chamou o próprio avô de pai.

"Há dois anos, tive acesso a uma imagem do pai do meu filho com a família. Foi quando meu menino soube que tinha dois irmãos. Ele ficou bem magoado. No Dia dos Pais, também fica triste. Sempre que sente falta, ele fala 'eu amo meu pai', sem sequer conhecê-lo", lamenta.

SEM PERDÃO

Assim como o filho de Letícia, Karina, 26, passou anos acreditando que seu pai era outra pessoa: no seu caso, o padrasto. Porém, ao contrário do garoto, ela não quer o reencontro. "Fiz contato com ele pela primeira vez aos 20 anos e a recepção não foi boa. Depois disso, não quis mais saber", conta. O pai chegou a visitá-la de surpresa anos após, mas o encontro, segundo Karina, só gerou mal-estar.

"Ali, entendi que eu não conseguiria. Precisei dele quando era criança, adolescente, não depois de adulta", diz, reconhecendo que o passado traz desconfiança sobre uma possível relação bem-sucedida com o pai no futuro. "Meus amigos dizem que eu preciso de terapia. Gostaria de ter tido uma referência paterna, algo que nem meu padrasto foi", completa.

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