Saúde

Cuidado com a ansiedade

Ricardo Galhardi
| Tempo de leitura: 1 min

O Brasil sofre uma epidemia de ansiedade. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o País tem o maior número de pessoas ansiosas do mundo: 18,6 milhões de brasileiros (9,3% da população) convivem com o transtorno. O tabu em relação ao uso de medicamentos, entretanto, ainda permanece.

Daniel Martins de Barros, psiquiatra do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, confirma. "As duas frases que eu mais ouço na clínica são 'eu não queria tomar remédio', na primeira consulta, e 'eu não queria parar de tomar os remédios', na consulta seguinte. A gente tem muita resistência porque existem muitos mitos: ficar viciado, engordar".

Barros explica que todo remédio pode ter efeitos colaterais e eles são receitados quando existir relação de custo-benefício a favor do paciente.

Neury Botega, psiquiatra da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, afirma que há 30 anos os médicos dispunham de recursos inadequados para tratar a ansiedade. "Ou usávamos drogas bem pesadas ou as que existem até hoje, como as faixas pretas. Por isso, nós vimos várias tias, avós, viciadas em remédios e essa é uma das imagens quando pensamos em tratamentos".

A partir de 1990, a fluoxetina, mais conhecida comercialmente como Prozac, torna-se popular. Para Botega, isso muda totalmente o paradigma do tratamento da ansiedade. Em relação ao tempo de duração do tratamento, não há protocolos claros para a ansiedade, como existem para a depressão. "Ele pode durar um tempo ou ser necessário pela vida inteira. Ansiedade é como pressão alta: quando descontrola, às vezes é para sempre."

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