A juíza Andrea Barreira Brandão, da 3ª Vara de Execuções Penais, suspendeu a prisão domiciliar do ex-médico Roger Abdelmassih e o mandou para o Hospital Penitenciário de São Paulo. Ele está condenado a 181 anos de prisão pelo estupro de 37 pacientes.
A juíza afirma haver "graves denúncias que constam deste pedido de providências, apontando indícios de que o sentenciado fez uso de seus conhecimentos médicos para ingerir medicações que levaram a complicações e descompensações intencionais, a fim de alterar a conclusão da perícia judicial".
"Necessário se faz que o sentenciado permaneça em ambiente controlado, recebendo seu arsenal terapêutico de forma regular e sob supervisão médica, até a realização de nova perícia judicial", anotou.
De acordo com a magistrada, a "sustação cautelar da prisão domiciliar vem fundamentada no poder geral de cautela do Juiz e para a efetividade do processo de execução até final decisão sobre a conveniência de eventual regressão de regime".
"Isto posto, susto cautelarmente a prisão domiciliar humanitária concedida a Roger Abdelmassih e determino que o sentenciado seja transferido imediatamente para o Hospital Penitenciário do Estado de São Paulo, provisoriamente, por período mínimo de 30 dias a fim de que seja resguardado o estado de covalescença do sentenciado até a realização de perícia judicial", decidiu a juíza.
A denúncia "grave" à qual a magistrada se refere foi revelada pelo livro 'Diário de Tremembé', do ex-prefeito de Ferraz de Vasconcelos, Acir Filló, que está preso na penitenciária no interior de São Paulo.
Ele afirma que o médico Carlos Sussumu, que também está preso, ajudou Abdelmassih a manipular seu estado de saúde para enganar a perícia. Segundo o livro, ele teria admitido a fraude.
A venda do livro foi suspensa por decisão da juíza Sueli Zeraik de Oliveira Armani.