Doença que, por décadas, foi uma das principais causas da mortalidade infantil no País, o sarampo estava erradicado desde 2016, mas voltou com força, entre outros motivos, por conta da diminuição da cobertura de vacinação. Altamente contagiosa e com capacidade de matar ou deixar sequelas graves, a enfermidade, porém, não é a única ameaça que volta a assombrar a saúde pública.
Segundo especialistas, não é pequeno o risco de brasileiros voltarem a ser acometidos por outras doenças que acreditava-se serem males do passado, como a poliomielite - que já tem caso registrado na Venezuela, a rubéola e a difteria.
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Somente quanto ao sarampo, já são 80 casos suspeitos em Bauru, ainda em investigação, após seis anos sem nenhum registro da doença. Até então, o último caso, importado de Miami, nos Estados Unidos, havia sido notificado em 2013.
O movimento antivacina, que teve forte atuação em partes dos Estados Unidos e da Europa, é apontado como um dos fatores que tem levado à ocorrência de surtos de sarampo e outras doenças no mundo, incluindo as Américas. A despeito das evidências científicas sobre os benefícios da imunização, trata-se de uma corrente que acredita que vacinas são desnecessárias ou mesmo prejudiciais.
Mas este não é o único fator que gerou o retorno de doenças consideradas erradicadas, conforme destaca a infectologista do Hospital de Base, Geovana Nogueira de Lima. "Hoje, as pessoas viajam muito mais de um lugar para outro do que no passado. Em um mundo globalizado, as doenças tendem a migrar muito mais rapidamente", pontua.
DESCASO
Diretor da Divisão de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Ezequiel Santos também responsabiliza o imediatismo característico da sociedade contemporânea, que leva as pessoas a optarem com maior frequência pela medicina curativa, quando a doença já se instalou, em vez da prevenção. O descaso e a desinformação gerada por correntes que propagam com facilidade ideias sem embasamento científico por meio das tecnologias digitais deixaram, como legado, a queda nos índices de imunização.
No Brasil, a diminuição da cobertura vacinal começou ainda em 2016 e, em comunicado recente, o próprio Ministério da Saúde destacou que a persistência desta realidade acendeu uma "luz vermelha". No País, a taxa de imunização considerada satisfatória é de 95% do público-alvo para cada tipo de vacina. No entanto, desde 2012, a segunda dose da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, rubéola e caxumba, não atinge esta meta.
Em Bauru, segundo a SMS, a cobertura é de 100% neste ano para crianças com até cinco anos de idade. "Em relação às outras doenças, como a meningite, a cobertura também segue adequada, em torno dos 95%. A menor cobertura está em torno de 76% a 85%, relativa à febre amarela, porque as pessoas procuram menos quando não há notícia de casos suspeitos", acrescenta Santos.