Anos atrás se perguntassem sobre qualquer assunto referente a politica para um brasileiro, de qualquer classe, ele no mínimo titubearia para responder e ainda assim superficialmente.
A regra era não saber nada do assunto e nesse quesito os argentinos me davam inveja com suas manifestações de rua ao som de bumbos, panelaços, seus gritos de guerra, suas opiniões incisivas, politizados até a raiz dos cabelos.
Infelizmente, eram massa de manobra dos peronistas, coisa que eu ainda não enxergava. Aqui a esquerda tentou fazer o mesmo em 2013, manobrando o povo para as ruas, oficialmente para protestar contra um aumento de R$ 0,20 na passagem de ônibus; mas, inesperadamente, o povo saiu fora do controle e aquelas multidões despejaram toda a revolta acumulada contra um governo podre que se sustentava através da corrupção e do assalto ao erário. Foi um espetáculo de cidadania inédito neste país.
De lá para cá muita coisa mudou, o brasileiro conversa sobre política com intimidade no assunto, sabe o nome até dos ministros do STF, algo impensável há anos atrás. Sabemos o que queremos e sabemos por que queremos. Recentemente fomos às ruas batalhar pela aprovação da reforma da Previdência Social, cientes de que era algo necessário e inadiável, e não sei de outro país cujo povo tenha feito o mesmo por um assunto tão tóxico. E se precisar vamos às ruas pela Reforma Tributária, Trabalhista e pela Reforma Política também.
Enquanto isso, os argentinos, cegos, patinam na ladeira do peronismo kirschnerista que os levará fatalmente a um destino igual ao da Venezuela.
Lo siento, vecinos, qué desastre!