A solidão é a ausência de uma conexão humana significativa. A solidão suportada é dramática; ela drena a alegria da vida e a pessoa se sente como uma chama que se extingue por sufocação, por falta de oxigênio. A solidão desejada, escolhida, é, em certo momento, necessária para que se possa reencontrar a coerência, restabelecer conexões e se preparar para novas batalhas.
Em um mundo cada vez mais populoso por que tantas pessoas se sentem sozinhas? Acredito que a razão desse tormento está no cerne de nossa cultura: o individualismo, o mito da independência, a competitividade e as redes sociais.
Em quase toda a história da humanidade a pessoa era parte de uma família, de um clã ou mesmo de uma determinada região. As pessoas se definiam baseando-se nos relacionamentos que mantinham com os outros, não em suas conquistas e realizações pessoais como acontece hoje.
Atualmente a família não é mais uma unidade. É uma coleção de indivíduos vivendo no mesmo endereço, mas entrando e saindo, comendo e dormindo em horários diferentes. Como resultado disso, muitas pessoas vão atrás de tudo o que acham que têm direito de ter e possuir, mas são cegas em relação às necessidades alheias e passam pela vida sentindo que são os outros que as impedem de ser totalmente felizes. Somos ensinados a encarar a vida como uma corrida na qual o prêmio é entregue apenas àquele que chega em primeiro lugar. Assim, vemos todos a nossa volta como rivais, pessoas que desejam tirar de nós o que temos de melhor e o que nos torna bem-sucedidos. Nossa vitória deve significar a derrota deles e vice-versa.
O amor é medido com base no "o que eu posso obter de você". As pessoas estão assustadas e desconfiadas; aprendem a ver em todos os relacionamentos a exploração e a vantagem, portanto, condenadas a viver segundo um padrão permanente de solidão.
Isto, talvez, explique porque as pessoas frequentem shopping centers mesmo quando não têm nenhuma intenção de fazer compras - elas só precisam estar em algum lugar junto com outros seres humanos e esperam que, no meio de centenas de estranhos, possam encontrar um rosto familiar. Além do mais, nos shopping centers e também nas redes sociais os pobres desaparecem da paisagem, não há pedintes, não há crianças de rua, ou seja, é onde se faz de conta que a realidade não existe.
Por isto, nosso desafio hoje, como educadores, não é só fazer com que nossos jovens adquiram conhecimento, mas que, também, adquiram habilidades sociais que os ajudem a vencer a alienação, a desconfiança e a solidão. É preciso incutir neles a importância da convivência e da solidariedade; não podem ficar para trás os valores da introspecção, da amizade, do desprendimento e do amor fraternal.
Nenhum homem é uma ilha; somos um sistema integrado em que cada parte incide positiva ou negativamente sobre o todo.