A baixa cobertura vacinal da tríplice viral - que de acordo com dados preliminares do Ministério da Saúde foi de apenas 90,8% em 2018, quando o ideal é de 95% - é a principal causa dos surtos de sarampo em São Paulo, Rio e Bahia. Especialistas alertam para o risco de surtos de rubéola e caxumba, doenças também prevenidas pela vacina.
Apesar de ter uma evolução benigna, a possível volta da rubéola pode trazer consequências graves para a saúde das próximas gerações. "O maior problema é o reaparecimento de casos de síndrome da rubéola congênita, que afeta bebês cujas mães tiveram rubéola na gravidez. Esta doença causa surdez, cegueira, lesão no coração, malformações no cérebro e deficiência mental. Se alguém entra no Brasil com rubéola e espalha o vírus, podemos voltar a ter esta síndrome nas crianças", explica Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações.
De acordo com a especialista, são muitos os fatores que provocaram a baixa cobertura vacinal. Dentre eles estão a baixa percepção do risco da doença - por estarmos a muito tempo sem surtos - e a dificuldade de acesso aos postos onde são dadas as vacinas, já que as unidades normalmente funcionam em horário comercial, momento em que a maioria da população trabalha.
A melhor maneira de eliminar a doença é atualizando a caderneta de vacinação. "Se as pessoas estão com sarampo significa que não estão protegidas também para as outras doenças. Por isso, é importante
se vacinar. Não
tenha medo da vacina, tenha medo da doença", diz Edimilson Migowski, professor de doenças infecciosas na UFRJ.