A história é registrada através de construções, músicas, jornais, livros, revistas, mas, principalmente, pela alma do povo. Há que se formar um exército dos que amam a terra natal a ponto de lutar pelos usos e costumes nela arraigados! Bariri está sendo dilapidada quanto aos valores históricos. Há anos através de um ato prosaico entre poucos fora decidida a demolição da linda igreja amarelinha. O fato é que ela se esfarelou e junto aos entulhos, misturadas foram as obras de arte dos imensos painéis de óleo sobre tela que decoravam as paredes, os lustres de cristais, os altares de mármores italianas. Tudo esfarelou: a história, as artes, a herança cultural e a gargalhar venceu a parva ignorância.
E, mais, foram demolidos o Hospital São Jorge, a Indústria Resegue de Óleos Vegetais Ltda, e tanto foi o atrevimento que sequer preservaram a chaminé, para marcar esse período da nossa história. E a saga da destruição ainda deambula pelos ares: agora é a vez dos prédios públicos da Delegacia, Cadeia e Forum! Inconcebível! Os prédios, se restaurados, dariam para abrigar A Academia Baririense de Letras e Artes, marco cultural que há 17 anos registra a história cultural de Bariri e tantas outras entidades culturais que aguardam por espaço digno. Certamente após a demolição o terreno baldio restará às moscas, espaço para descarte de lixo, reduto de andarilhos, no coração da cidade! Seguindo o raciocínio, quanto ao crime cultural continuado, futuramente serão demolidos também, o Cine Teatro Carlos Gomes, o Grupo Escolar, a Igreja Síria, o Clube Municipal, e quiçá, o fantástico prédio da antiga Prefeitura na esquina da Sete de Setembro com a XV de Novembro, os sobrados históricos, o coreto do jardim etc!
Tudo isso acontece devido ao triste fato de não existir, infelizmente, alguém com poder político, que com a força do coração e a leveza da caneta possa levantar a voz e defender o patrimônio histórico e cultural, como o fizeram: Aziz Chedid, José Augusto Barbosa Cava, Osni Ferrari, com a restauração do prédio da Sociedade Italiana e o transformar no imponente Museu Mário Fava, hoje, marco histórico de nossa cidade, a registrar Bariri para o estado, para o país e para o mundo! Como fizeram João Baptista de Mello e Adib Moisés Salomão que, registraram a história através da literatura! E outros cidadãos que trazem no coração o amor pela terra onde nasceram e lutam acirradamente pela herança cultural de Bariri!
Porém, política e cultura são como água e óleo: não se misturam!