Rio de Janeiro - Enquanto todos os olhos estavam voltados para o ônibus cruzado no meio da pista, o cerco da polícia e o aglomerado de gente que se formou, outros dois personagens importantes para o desfecho do sequestro do ônibus 2520 passaram despercebidos na ponte Rio-Niterói na manhã da última terça (20).
Eram a mãe e um primo de Willian Augusto da Silva, 20, que estavam a metros de distância quando o jovem foi morto por seis tiros. Ambos foram ao local do crime, e ao menos o primo conversou com policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope), em sigilo, durante a ação.
"Ele estava muito desconexo. Uma hora ele queria dinheiro para não matar, em outra queria se suicidar, em outro momento dizia que ia tacar fogo no ônibus. Com essa dificuldade de conexão, junto ao perfil traçado pela psicóloga, junto aos depoimentos dos familiares que nós colhemos, nós identificamos que não dava mais tempo de jogar com a sorte", disse o comandante do Bope nesta quarta (21) à imprensa.
FALHA
Depois do sinal de positivo do atirador e da comemoração dos policiais, porém, a sensação dos familiares foi outra. Ficaram desolados por não terem conseguido contato com o jovem na ponte. "Eu tentei, eu tentei", dizia o primo no velório (ele foi enterrado à tarde em cerimônia privada), segundo uma antiga professora de Willian, Maria Nascimento.
O primo repetia que podia ter evitado a morte, que iria conversar com o primo, mas não foi ouvido.
A mãe também tentou chegar até o ônibus. A polícia não deixou. "Nós não podemos diretamente colocar a família naquele local, porque pode colocá-los em risco. Dependendo da relação dele com a família, que nós não sabíamos qual era, poderia até aumentar o grau de agressividade dele", explica o comandante do Bope.
O corpo de William foi enterrado à tarde em cerimônia privada, em São Gonçalo, no Rio. A família desistiu de esperar pela gratuidade prometida pelo Governo do Rio.