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Amazônia: Bolsonaro modera tom

FolhaPress
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Brasília  - Em tom protocolar e mostrando-se mais moderado do que nos últimos dias, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) foi a rede nacional de TV na noite desta sexta-feira (23) defender que o alastramento das queimadas pela Floresta Amazônica não sirva de pretexto para sanções ao Brasil.

No discurso de 4 minutos e 30 segundos recebido com panelaço em alguns bairros de São Paulo, evitou citar pelo nome líderes europeus e pediu serenidade, dizendo que "espalhar dados e mensagens infundadas dentro ou fora do Brasil não contribui para resolver o problema" . Bolsonaro também buscou naturalizar as queimadas, relacionando-as à estiagem.

"Incêndios florestais existem em todo o mundo e isso não pode servir de pretexto para possíveis sanções internacionais. O Brasil continuará sendo, como foi até hoje, um país amigo de todos e responsável pela proteção de sua Floresta Amazônica", disse.

INPE

Dados aferidos por satélite pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), pela Nasa e pela organização de pesquisa Imazon indicam tendência de aumento no desmatamento na Amazônia desde 2012, com ganho de velocidade neste ano.

Os focos de queimada também são mais numerosos. Não há ainda dados consolidados disponíveis sobre este ano, contudo, que permitam dizer se houve salto abrupto ou aceleração sob Bolsonaro.

A crise ganhou proporção internacional após Macron classificar os incêndios criminosos como crise global, prometer debater o assunto no G7 --que integra com EUA, Canadá, Reino Unido, Itália, Alemanha e Japão-- e ameaçar barrar o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.

"Diversos países desenvolvidos não conseguiram avançar com seus compromissos no âmbito do Acordo de Paris [sobre o Clima]. Seguimos, como sempre, abertos ao diálogo, com base no respeito, na verdade e cientes da nossa soberania", disse Bolsonaro.

Ele ressaltou que países desenvolvidos ofereceram ajuda para conter as queimadas e se prontificaram a "levar a posição brasileira junto ao G7" --alusão aos Estados Unidos.

"É preciso ter serenidade ao tratar dessa matéria. Espalhar dados e mensagens infundadas dentro ou fora do Brasil não contribui para resolver o problema. E se prestam apenas a uso político e a desinformação", disse.

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