Existem pessoas tão boas e positivas que parecem de outro planeta, imunes a problemas e estresses da vida. Para entender a essência destes indivíduos, o psicólogo Scott Barry Kaufman, da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, decidiu pesquisar os traços de personalidade comuns a quem só transmite sentimentos bons. Ao fim do estudo, ele encontrou três traços: humanismo, kantismo e fé na humanidade, que formam a "tríade de luz".
O primeiro - humanismo - está relacionado a acreditar que o ser humano possui valor, independentemente de erros e acertos. O segundo - kantismo - refere-se à atitude de tratar bem as pessoas e não como se fossem peões em um jogo de xadrez. Já o último - fé na humanidade - é a qualidade de acreditar que as pessoas são boas e não querem tirar vantagem de você.
"Esses traços envolvem valores positivos que, quando estimulados dentro de nós, se sobressaem nos nossos atos. Para isso, precisamos primeiro nos amar, para amar o próximo e quem sabe ajudar os demais", diz a psicóloga Aline Saramago.
Desenvolver esses traços de personalidade não apenas melhora a visão de mundo, mas influencia também nos sentimentos pessoais. "Quando você tem uma visão de que o ser humano possui valor, que estamos todos em evolução e que quando alguém ajuda não está querendo tirar vantagem, você diminui sua agressividade e ansiedade", diz Juliana Sato, psicóloga da clínica Nutrindo Ideais. "Você percebe que não é preciso sentir inveja, ciúmes ou medo."
Para Aline, desenvolver os traços de personalidade descritos pela pesquisa não só ajuda a própria pessoa, mas também quelas que estão ao seu lado. "Os neurônios espelhos presentes em nosso cérebro são especialistas em imitar outras pessoas, por isso, podemos contagiar os que estão ao nosso redor para o bem ou para o mal."
O estudo descobriu que as pessoas boas apresentam maior autoestima, senso de identidade e satisfação com seus relacionamentos e com a vida em geral. Além disso, curiosidade, entusiasmo, amor, bondade, trabalho em equipe, perdão e gratidão foram características mais comumente encontradas naqueles vistos como bons.
Mas nem tudo são flores. Segundo a psicóloga Valéria Cardos, psicoterapeuta cognitivo-comportamental, ser bom e emocional pode levar a situações nem sempre confortáveis, como quando um chefe precisa demitir um funcionário. "Se todos fossem muito emocionais e relacionais, seria difícil ter uma sociedade tão diversa e com capacidade de produção", pondera.