As cores do arco-íris tomaram a avenida Nações Unidas neste domingo (25) durante a retomada da Parada da Diversidade em Bauru, depois de um hiato de dois anos. Segundo estimativa da organização e da Polícia Militar, aproximadamente 15 mil pessoas participaram da marcha, que, muito mais do que uma festa, é realizada para provocar reflexão e dar visibilidade às causas LGBTQI+. A Associação Bauru pela Diversidade (ABD) estima que com a concentração no Vitória Régia o público chegou a 40 mil pessoas.
Sob o lema “Somos, estamos, acostumem-se” e com show da ex-chacrete Rita Cadillac e da cantora Valesca Popozuda, o evento encerrou a 12ª Semana de Combate à Discriminação e Preconceito em Bauru, que integra o calendário de comemorações ao aniversário da cidade. Além das artistas conhecidas nacionalmente, o palco instalado no Parque Vitória também recebeu a banda Gum Pop e apresentações artísticas de drag queens.
Um dos organizadores, Leandro Lopes destacou que a Parada voltou a ser realizada em Bauru em um ano importante, em que o Supremo Tribunal Federal igualou a LGBTfobia ao racismo, tornando-o um crime inafiançável e imprescritível no Brasil, com pena de um a cinco anos de prisão, além de multa.
“Porém, ainda que tenhamos alcançado muitas coisas, vemos uma parcela da sociedade com discurso reacionário e de ódio. Houve um perigoso retrocesso e estamos aqui para marcar nossa forma de resistência a esta onda conservadora e antiprogressista que surge na contramão da evolução do mundo”, pontua.
Lopes destacou, ainda, que a retomada do evento só foi possível devido ao apoio do Museu da Diversidade Sexual, vinculado à Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, que foi responsável por financiar o show de Rita Cadillac e o trio elétrico que percorreu a Nações Unidas. Nos últimos dois anos, em 2017 e 2018, Bauru havia sediado Encontros da Diversidade no Parque Vitória Régia.
VISIBILIDADE
Rita Cadillac, aliás, desfilou no trio e discursou ao microfone. Com seu jeito despojado de ser, ela contou ao Jornal da Cidade que recebe de forma leve e feliz a responsabilidade de ser uma referência para o público LGBTQI+. “A Parada é um evento muito importante, justamente para dar visibilidade à existência dessas pessoas, que, muitas vezes, não encontram apoio nem mesmo dentro de casa. É um prazer estar ao lado delas”, afirma.
Muitos que participaram da festa neste domingo já são “veteranos”, como o professor Ariel Kasuya Ribeiro Saito, 25 anos. Pelo terceiro ano, ele aderiu ao evento por entender que toda manifestação coletiva é importante para respaldar direitos adquiridos e reivindicar os que ainda não foram conquistados por esta comunidade.
“Muitos dos nossos direitos estão sendo desmerecidos, desrespeitados. Precisamos sair da zona de conforto, do plano individual e ocupar os espaços, para que estes direitos não sejam retirados da gente”, defende.