Política

Oposição critica pedido de empréstimo

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 3 min

A Câmara Municipal teve uma sessão ordinária nesta segunda-feira (26) com fortes críticas da oposição ao projeto do prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSD) em pedir quase R$ 50 milhões emprestados para a compra de máquinas, asfalto, recape, estrutura dos distritos industriais e revitalização do Centro.

O JC antecipou a possibilidade do pedido de empréstimo em julho, e na edição do último domingo (25) mostrou detalhes de como o financiamento deve ocorrer.

Contudo, o projeto ainda será encaminhado para a Câmara e precisaria de aprovação por maioria qualificada, ou seja, 12 dos 17 vereadores terão de votar a favor para autorizar o empréstimo desse valor.

Os vereadores Coronel Meira (PSB) e Chiara Ranieri (DEM) fizeram duras críticas ao pedido, especialmente pela dívida que o município já tem e por estar a um ano das eleições. "A motivação do pedido de empréstimo em si é boa, ninguém é contra comprar máquinas, fazer asfalto, recape, melhorar a estrutura dos distritos industriais ou revitalizar o Centro, o problema é o momento desse empréstimo, faltando pouco mais de um ano para as eleições. Se tivesse feito o pedido em 2017, certamente a Câmara aprovaria, pois teria um mandato inteiro para realizar as obras. Mas, desde então, a prefeitura não fez a lição de casa, alterando pontos que comprometem o setor financeiro, como a revisão dos Planos de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS). Então, o momento é ruim para um projeto como este", lembrou Meira.

Já Chiara Ranieri afirma que a dívida atual da prefeitura, e mais os débitos da Cohab, inviabilizam um empréstimo que precisará de dez anos de pagamento. "O empréstimo vai ter a primeira parcela do pagamento em 2021, fora já do atual governo, sendo pago por dez anos. Para comprar máquinas, tem outras maneiras, não precisa de empréstimo. O asfalto e recape então, não vejo argumento mais eleitoreiro do que esse. Um empréstimo nesse momento, em fim de governo, não é momento de fazer mesmo", comentou. A parlamentar destacou a dívida atual da prefeitura, em R$ 330 milhões, parcelada por pelo menos 20 anos, e a da Cohab, que passa de R$ 250 milhões, além de precatórios que não estão nessa soma ainda. Os vereadores falaram ainda da dificuldade no projeto do novo organograma, que ainda está na Câmara.

DEFESA

O líder do governo, vereador Markinho Souza (PP), foi o único a defender o pedido de empréstimo. O parlamentar afirmou que pretende chamar uma audiência pública assim que o projeto chegar na Câmara, e destacou que até o ano passado a prefeitura estava impedida de fazer financiamentos, pois no começo do governo atual estava acima do limite prudencial de despesas com pessoal. "Em 2017, a prefeitura estava acima do limite de gastos com folha salaria, o que foi resolvido depois e por isso só agora é possível emprestar, temos um limite de até R$ 200 milhões para financiamentos", afirmou. Meira, contudo, rebateu e disse que uma coisa é ter condição de fazer o empréstimo, outra é de pagar. Por fim, Ricardo Cabelo (Cidadania) e Telma Gobbi (Solidariedade) pediram uma discussão sobre o tema.

Comentários

Comentários