Atitude

Atenção à 'epidemia' do plástico

Evelin Azevedo
| Tempo de leitura: 2 min

O plástico está presente em quase tudo: desde embalagens de alimentos aos móveis de casa. A evolução das tecnologias possibilitou transformar este derivado de petróleo em um item quase essencial à rotina contemporânea. O problema é que alguns tipos de plástico liberam um composto que pode ser nocivo à saúde: o bisfenol A (BPA).

Este monômero (menor parte da cadeia que compõe o plástico) possui estrutura química muito semelhante aos hormônios sexuais estrógeno, na mulher, e testosterona, nos homens. Ele funciona como um desregulador endócrino, ou seja, uma substância química que interfere a ação hormonal.

"Como ele é muito semelhante, o BPA pode confundir os receptores deste hormônio e se ligar nele. A partir disso, o composto pode tanto diminuir quanto aumentar a função do hormônio no corpo. No caso de diminuição da função, ele pode causar, por exemplo, um atraso no desenvolvimento da puberdade, tanto em meninos quanto em meninas. Ou pode provocar o contrário, quando aumenta a função, uma puberdade de início precoce", explica Elaine Frade Costa, presidente da Comissão de Desreguladores Endócrinos da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

O BPA é liberado gradualmente do plástico com o passar do tempo. Mas o aquecimento, resfriamento ou contato com algum alimento de pH ácido acelera a liberação deste composto, que passa para a comida e entra em nosso corpo. Por conta dos riscos, em 2011 o governo brasileiro proibiu a utilização de plástico com bisfenol A na fabricação de mamadeiras. A partir disso, itens que são produzidos sem o composto recebem o selo de "BPA free" (livre de BPA).

"O ideal é evitar o plástico de forma geral, porque muitas vezes o BPA não é utilizado, mas há compostos análogos, como o bisfenol S e o bisfenol F, que podem ser tão tóxicos quanto o "A". Além disso, quando reduzimos o consumo de plástico, diminuímos a poluição ambiental, reduzindo o risco de os animais comerem o plástico e se contaminarem também", orienta Andreia Friques, presidente da Associação Brasileira de Nutrição Materno Infantil e autora do livro "A epidemia do plástico".

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