Turismo

Patrimônio

Priscila Mengue
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A qualquer momento, araras, onças ou outra das centenas de espécies da região podem aparecer no horizonte - ou, logo ali, a alguns metros de distância. Uma nova descoberta rapidamente se espalha em avisos, cutucões ou gestos, que apontam para o céu, as árvores, o mato, o rio, a estrada, todos os lados. No Mato Grosso, paciência, tempo e sentidos aguçados guiam viajantes por cidades nos arredores de Cuiabá.

Visitamos o Estado em junho, já considerado período de seca. A temperatura beirou os 30 graus durante o dia, o céu se manteve aberto e nenhuma gota de chuva se apresentou. Foi assim que percorremos o Pantanal Norte, a Chapada dos Guimarães e a ainda pouco conhecida região de Nobres, repleta de nascentes e rios cristalinos.

O primeiro e um dos principais atrativos da viagem não foi um ponto de parada, mas uma travessia: a da Transpantaneira, que liga Poconé a Porto Jofre. A região faz parte do Complexo de Preservação do Pantanal, considerado Patrimônio Natural Mundial e Reserva da Biosfera pela Unesco.

De chão batido e em meio a solavancos, atravessar os 147 quilômetros da Transpantaneira tem um pouco de safári: é comum avistar animais, especialmente jacarés e aves. Em um trecho, o nosso carro parou. O motivo? Um tuiuiú de um metro e tanto de altura parado no meio da estrada. De plumagem branca, pescoço vermelho e cabeça preta, a ave - tal qual um personagem em fuga em um filme de ação - desfilava pela estrada até considerar seguir pelas margens da via. Foi nesse momento, de um voo breve, que exibiu seus cerca de dois metros de envergadura.

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