Entrevista da semana

Entrevista da semana com Paulo Juliano Nicolielo Junior

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 4 min

"Se for pra eu fazer, vai ser bem feito!". Paulo Juliano Nicolielo Junior, engenheiro agrônomo e comerciante, de 58 anos, é daqueles que se entregam por aquilo que acreditam. Natural de Arealva, está em Bauru diariamente. Ele põe a "mão na massa" e até se suja de terra quando é preciso porque não mede esforços para fazer o melhor de si. Diretor de patrimônio do Bauru Tênis Clube (BTC), mantém uma rotina de zelo diário pelo clube, apontado como uma de suas paixões.

Kojak, como é conhecido, é neto de comerciante de cereais, que começou os negócios do zero, em uma vendinha em Arealva. E que, apesar de ser semianalfabeto, prosperou até adquirir propriedades para o cultivo de café, que são o alicerce da família até hoje.

Formado em engenharia agronômica pela Escola Superior de Agricultura e Ciências de Machado (ESACMA), em Minas Gerais, ele fez o colegial no Prevê, em Bauru, onde na adolescência conheceu o BTC, local que passou a frequentar pra valer a partir de 1997, quando terminou a graduação e foi atraído ao clube pelo futebol com os amigos. 

JC - Como foi crescer em Arealva?

Kojak - Tive uma infância muito boa. Nadava escondido nos rios. Naquela época, eu caçava com estilingue e pescava. Em termos de aventura, minha infância foi ótima.

JC - Quais são suas referências?

Kojak - Meu avô materno, sem dúvida, Adelino Mendonça.

Ele era semianalfabeto e foi ele quem fez tudo. A gente só vem conservando. Ele tinha uma lojinha no bairro Ribeirão Bonito. Depois, passou a trabalhar com plantação e vendeu o local onde ficava a vendinha. A mesma família que comprou à época toca o negócio até hoje. Convivi com meus avós a minha vida toda, entre a área urbana e rural de Arealva. E foi do avô Adelino que recebi meu primeiro salário.

JC - Como era o trabalho de vocês?

Kojak - Meu pai era funcionário público, mas também trabalhava nas propriedades dos meus avós. E eu sempre os acompanhei, principalmente nas férias escolares. Depois do café, passamos a cultivar milho, algodão e amendoim. Sempre vivi do trabalho rural e comércio.

JC - Como surgiu apelido Kojak?

Kojak - Me apelidaram quando eu estudava no Prevê. Deram trote na gente e rasparam a minha cabeça, no colegial. E na época, passava na TV a série Kojak. Bastou alguém falar que eu fiquei parecido com ele e o apelido pegou.

JC - A que você atribui suas conquistas?

Kojak - Perseverança, muito trabalho e dedicação em tudo o que eu faço. Porque se não tiver isso, não se alcança nada.

JC - O que o levou ao BTC?

Kojak - O futebol. Conheço o clube desde sempre. Frequentava quando tinha meus 15 anos. Depois de algum tempo, fui para Minas fazer faculdade e voltei em 1997. E o meu amigo de infância, Betinho de Rossi, me convidou a voltar ao clube, para jogar futebol, na sede de campo. E como eu adoro bater a minha bolinha, estou no clube até hoje, tanto nos campeonatos quanto na Turma da Tosse.

JC - Diretor no BTC é uma função voluntária. O que te motiva?

Kojak - O BTC é o lugar que eu escolhi. É onde estão meus amigos. Por isso, deixamos tudo ajeitadinho e cuidamos com carinho, porque somos nós mesmos quem usufruímos. Eu já desempenhei outras funções no clube e, por mérito, fui convidado a ser diretor de patrimônio, que é muita responsabilidade.

JC - Qual é a forma com que você trabalha?

Kojak - Com capricho. Ficando em cima dos detalhes. O grosso do trabalho é fácil de fazer. O que exige o máximo de atenção são as pequenas coisas. É o olho do dono que engorda o gado. Por isso que preciso acompanhar, sendo parceiro dos funcionários. Mostrar para eles que o serviço bem feito é duradouro.

JC - Quais os momentos mais marcantes da sua vida?

Kojak - O momento mais triste foi o período de 25 dias que eu perdi meu pai e depois minha mãe, ambos por câncer, no mês de maio de 2010. E o período mais feliz da minha vida foi o nascimento dos meus três filhos, Paulo, Mariana e Marcos.

JC - Com vida entre Arealva e Bauru, você diria que uma cidade precisa se espelhar na outra?

Kojak - Penso que Bauru podia ter a simplicidade de Arealva. E lá teria que ter, penso, o pluralismo e a diversidade de pessoas de Bauru.

JC - Você gosta das duas cidades?

Kojac - Além da minha família, tenho três amores, que são Arealva, Bauru e o Bauru Tênis Clube".

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