O deputado estadual Capitão Assumção (PSL) afirma não se incomodar com a repercussão que gerou ao oferecer R$ 10 mil para quem matar o criminoso que, na madrugada de quarta-feira, assassinou uma mulher que estava acompanhada da filha de 4 anos. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, a Polícia Militar foi acionada para atender a uma invasão de residência seguida de tiros em Cariacica, no interior do Espírito Santo. "Não tiro uma vírgula. Só me arrependo de não ter mais dinheiro para oferecer", disse o deputado ao jornal O Estado de S. Paulo.
No mesmo dia do assassinato, Capitão Assumção foi à tribuna da Assembleia e lançou a "oferta". "Quero ver quem é que vai correr atrás para prender esse vagabundo", disse, apontando para uma foto da mulher executada reproduzida no telão do plenário. "Dez mil reais do meu bolso para quem mandar matar esse vagabundo. Ele não merece estar vivo, não."
Ele seguiu. "Tem de entregar o cara morto, aí eu pago. Vagabundo que tira vida de inocente, vai usar o sistema para ser beneficiado? A gente tem de parar com isso de achar que preso é gente boa."
CONTA BLOQUEADA
O deputado havia compartilhado o discurso em sua conta no Facebook e no Instagram. Nesta sexta-feira, 13, porém, as duas plataformas excluíram o material e o deputado foi ainda bloqueado pelo Facebook por um prazo de 30 dias.
OAB REPUDIA
Para a diretora de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil/Espírito Santo Flávia Brandão, violência não se combate com violência. "De um representante do Poder Legislativo se espera mais responsabilidade, e não o incentivo à barbárie. Esse deputado deve primeiramente respeitar as leis e a Justiça, além de trabalhar para aprimorar os mecanismos de segurança pública existentes."
"Estamos vivendo a barbárie faz tempo", rebate Capitão Assumção.