O que fazer com aqueles que não querem ver, nem ouvir? O que fazer com aqueles que querem falar sozinhos, de forma autoritária e maniqueísta? Naturalmente fica difícil mostrar alguma coisa a quem é cego ou a quem fecha os olhos por uma férrea decisão de não enxergar. Fica praticamente impossível demonstrar que as universidades públicas do Estado de São Paulo, com muito esforço ao longo das duas últimas décadas, se fixaram em várias cidades com novos campi, evoluíram no ranking de pesquisas e na avaliação dos seus cursos. No entanto, por conta dos que não querem ver nem ouvir, estas universidades sofrem com a falta reconhecimento, com críticas injustas, limitações orçamentárias severas e com propostas que agridem sua autonomia e ameaçam seu futuro.
Seus docentes buscam a qualificação mercê do idealismo e da vontade sempre crescente de gerar e transmitir conhecimento, de formar profissionais capazes de alavancar o desenvolvimento e gerenciar esse país. Trilham uma carreira atrelada a sua qualificação, produção científica e excelência no ensino. Pesquisam, elaboram teses, enfrentam bancas em concursos públicos, assumem funções administrativas com regras perfeitamente definidas e garantidas pela suposta autonomia universitária. No entanto, sempre aparecem alguns políticos, famintos por poder, que criam regras contraproducentes que removem de todos, indistintamente, muito do prazer e do significado do seu trabalho. Regras que fazem parte de um processo que visa a estagnação: é a opressão político burocrática em andamento. Fica a impressão que uma parte do Brasil quer devorar a outra parte. É uma cruzada heterogênea, difusa, por parte daqueles que se dizem representantes da sociedade, mas que desejam manter essa sociedade sob jugo de seus interesses.
Quando procuram o governo para questionar o freio suicida na qualificação de seus professores e nos programas de desenvolvimento científico, estas grandes universidades de pesquisa atuam como braços do próprio governo, como núcleos estratégicos onde ciência e tecnologia interagem para a construção da modernidade. Ver de outro modo a posição das universidades é cometer um desastroso erro de avaliação.
Políticos, juízes e ministros, muitos formados por essas universidades, deixam claro o que todos já sabíamos: a autonomia universitária é uma falácia. Decretam que a progressão na carreira por mérito tem limites. Limitam seus incentivos, limitam seu salário ao de um político que, embora eleito, eventualmente pode não ter nenhuma formação e ser ainda um péssimo gestor. Esse tipo de interferência do Estado na universidade se justifica no desejo de fazer dela o que já foi feito com os ensinos fundamental e médio, ao não valorizar o professor: empobrecer a educação agora em todos os níveis. A solução imaginada, em resumo, é a seguinte: já que não se conserta uma parte, arrebenta-se o conjunto.
Esse tipo de ação, reforçada com os cortes nas bolsas de estudo, mostra que a educação continua não sendo prioridade e como consequência o retrocesso é inevitável e o futuro do país, incerto.