Belo Horizonte - O procurador de Justiça do Ministério Público de Minas, Leonardo Azeredo dos Santos, que classificou como "miserê" seu contracheque de R$ 24 mil líquidos - já livre de IR e outros descontos -, recebeu na verdade R$ 65.152,99 líquidos em julho. O valor, no entanto, não está nem entre os cem mais altos pagos pelo órgão público naquele mês - 138 procuradores e promotores de Justiça ganharam de R$ 65,2 mil a R$ 88 mil no período, em cifras limpas.
O "miserê" veio a público no início da semana. O assunto virou destaque em todas as redes sociais.
Áudio revela que, durante reunião de cúpula da instituição, realizada no dia 12 de agosto, para debater o orçamento 2020, o procurador Azeredo afirmou: "Como é que o cara vai viver com 24 mil reais?", questionou. "Quero saber se nós, ano que vem, vamos continuar nessa situação ou se Vossa Excelência já planeja algo, dentro de sua criatividade, para melhorar nossa situação. Ou se vamos continuar nesse miserê aí."
O salário bruto de Azeredo é de R$ 35.462,50. Descontados o Imposto de Renda e a contribuição previdenciária, o valor fica em R$ 23.803,50.
No entanto, indenizações e remunerações retroativas ou temporárias aumentam bastante o contracheque do procurador. Nos primeiros sete meses deste ano ele recebeu um total líquido de R$ 477.927,39, ou cerca de R$ 68 mil livres todo mês. Em julho, foram R$ 65.152,99.
NÃO É DOS MAIORES
Todas as informações sobre os contracheques dos promotores e procuradores de Minas constam do Portal da Transparência do Ministério Público do Estado.
O Portal indica que a remuneração de Azeredo não está nem entre as 50 maiores dos primeiros sete meses de 2019.registrados em janeiro. Analisando somente para os cinco membros do Ministério Público de Minas com as maiores remunerações mês a mês, o maior valor que o 5.º lugar recebeu neste ano foi de R$ 95 mil e o menor R$ 68 mil.
OUTRO LADO
A Diretoria da Associação Mineira do Ministério Público divulgou a seguinte nota: "O Ministério Público do Estado de Minas Gerais tem entre seus princípios pugnar pelo aperfeiçoamento do sistema de justiça, atuar em prol do Estado Democrático de Direito e pela transparência na gestão pública. A política remuneratória do Ministério Público e do Poder Judiciário foi criada pela Emenda Constitucional n. 19/1998.
Posteriormente, por meio da Lei n.º 11.143/2005, foi estipulado como teto, o subsídio mensal dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, o que vem sendo cumprido sem qualquer exceção." A Assessoria de imprensa do MPMG informou que não haverá manifestações por parte dos procuradores.