Salvador - A asma e a obesidade são condições que podem caminhar juntas. Se, por um lado, a primeira leva à segunda devido aos remédios e questões emocionais, por outro, o sobrepeso está associado ao maior risco de desenvolver ou complicar a doença que afeta as vias aéreas. A boa notícia é que uma pequena redução de peso já melhora a função pulmonar e diminui as crises asmáticas.
Para entender como elas se relacionam, é preciso identificar como cada uma age no organismo. A asma é uma doença inflamatória crônica que faz as vias respiratórias incharem e estreitarem. Isso dificulta a passagem de ar e torna o ato de respirar muito difícil.
O tratamento básico é feito com corticoide inalatório (bombinha), que vai diminuir a inflamação. Quando a pessoa necessita de doses muito altas dessa substância, no caso de asma grave, há uma predisposição para a obesidade.
"Um dos principais efeitos colaterais do corticoide é o ganho de peso, porque ele favorece o acúmulo de gordura. É o hormônio do estresse e faz com que a gente se prepare para dificuldades e uma das formas de se preparar é acumular gordura", explica o pneumologista Alvaro Cruz, coordenador do Programa de Controle da Asma (ProAR) de Salvador, na Bahia.
Um estudo conduzido pelo núcleo com 172 pessoas diagnosticadas com asma grave identificou que 81,4% delas estavam acima do peso ou obesas. A tendência é global. Cruz afirma que os dados nacionais são semelhantes a um estudo europeu que analisou pessoas com mesmo índice de massa corpórea, mesma idade e com alteração da função pulmonar.
REDUÇÃO DE 5%
O pneumologista Roberto Stirbulov, professor adjunto da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, diz que 60% das pessoas com asma grave nos Estados Unidos estão obesas. "Esse é um perfil que cada vez mais vamos enfrentar", afirmou durante apresentação no 12º Congresso Brasileiro de Asma, realizado em agosto. Segundo ele, uma redução de 5% do peso já melhora a função do pulmão.
Um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) mostrou que dieta balanceada associada a uma rotina de exercícios físicos melhora a resposta pulmonar e os mediadores inflamatórios da asma em pessoas obesas com nível grave da doença. Depois de três meses, foi constatado também melhora nos sintomas de depressão e baixo risco de apneia do sono.