Diretorias e tenistas do Bauru Tênis Clube e do Club Athletico Paulistano realizaram a segunda etapa da Copa Julio Góes, neste final de semana, e prestaram homenagens aos tenistas Celso Sacomandi e Meca, que jogaram juntos, tendo Celso na cadeira de rodas. A competição festiva, que leva o nome de Meca, justamente porque ele é o maior elo entre as duas entidades, por ser bauruense e betecista, ter iniciado sua carreira em Bauru e por trabalhar como professor de tênis no Paulistano há muitos anos.
O Paulistano venceu as duas etapas, que são disputadas em duplas de tenistas com mais de 60 anos. A competição teve início em 2019, com troféu itinerante e reúne os clubes uma vez por semestre, transitando sede em Bauru e na Capital. Na principal partida no BTC, Celso Sacomandi, sobre cadeira de rodas, emocionou todos os presentes ao jogar ao lado de Meca, tendo do outro lado da quadra o multicampeão brasileiro da juventude, José Roberto Martins Segalla, presidente do BTC, e o também craque no tênis e diretor do Paulistano, Galba Couto. Celso e Meca venceram.
Fora do saibro, Meca e Celso receberam placas e o carinho dos amigos. BTC e Paulistano recordam que Julio Góes, o Meca, é o maior tenista bauruense de todos os tempos. Meca é ex-número 1 do Brasil e ex-número 68 (simples) e 69 (duplas) do ranking profissional da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP). Meca aprendeu a jogar tênis olhando os sócios do BTC jogarem, em 1963. E de lá pra cá, ele conquistou vários títulos. Foi campeão brasileiro adulto, heptacampeoão Circuito Satélite e representante do Brasil em Roland Garros, US Open, Wimbledon e Copa Davis. Depois, já na categoria veterano, foi campeão mundial pela Federação Internacional de Tênis (ITF).
Superação sobre rodas
Celso Sacomandi foi um dos desportistas mais talentosos que Bauru já teve e foi top 10 do mundo no juvenil. Dono da canhotinha mais potente de sua época, no tênis, não superou só adversários, conquistando diversos títulos de grande expressão, mas supera, a cada dia os obstáculos da vida. Ele encerrou sua carreira aos 23 anos. Foi heptacampeão brasileiro de simples, bicampeão sul-americano, vice-campeão duas vezes do Orange Bowl - tido como Mundial juvenil -, bicampeão do Banana Bowl e campeão mundial por equipes, ao lado do amigo Cássio Mota.
Há exatos 17 anos, quando tinha 42 de idade, foi diagnosticado com adrenoleucodistrofia, que limitou seus movimentos, mas não sua determinação de jogar tênis.
“Eu não penso em competir, apesar dos amigos incentivarem muito. Eu jogo tênis, na cadeira de rodas, como remédio, uma terapia. Enquanto eu tiver cabeça boa, vou continuar”, disse Celso, durante a homenagem dos amigos.