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Poluição no rio avança e ameaça região

TISA Moraes com Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 3 min

Maior e mais importante rio do Estado de São Paulo, o Tietê está cada vez mais ameaçado e acende alerta na região. Estudo divulgado na última semana pela Fundação SOS Mata Atlântica revelou que o trecho morto alcançou a marca de 163 quilômetros em 2019, um aumento de 33,6% em relação ao ano passado, quando a poluição se estendia por 122 quilômetros. O JC visitou o manancial, em Barra Bonita, onde a qualidade da água já passou a ser considerada regular.

Os dados preocupantes, que constam no relatório Observando o Tietê, vão na contramão dos esforços para conseguir trazer o rio de volta à vida (leia mais na página ao lado). Em 2010, por exemplo, a mancha de poluição era de 243 quilômetros e, em 2014, havia baixado para 71 quilômetros, o menor índice da série histórica do levantamento.

O retrocesso deste ano merece um alerta a mais neste domingo (22), quando se comemora o Dia do Tietê, já que, além de ser fundamental para a economia e abastecimento de dezenas de cidades paulistas, o manancial também abriga importante biodiversidade em seus 1.100 quilômetros de extensão.

"A região metropolitana de São Paulo, desde sempre, foi o grande problema, dado o crescimento industrial e populacional. É uma região que está próxima à nascente e que gera impacto até onde estamos. Em Barra Bonita, por exemplo, a qualidade da água já é considerada regular e não boa (confira no quadro abaixo)", pontua Hélio Palmesan, presidente-executivo da ONG Mãe Natureza, sediada em Barra Bonita.

É considerada trecho morto a parte do rio que apresenta Índice de Qualidade da Água (IQA) classificado como ruim ou péssimo. O indicador é obtido por meio da soma de parâmetros físicos, químicos e biológicos encontrados em amostras de água.

SEM VIDA

No trecho morto, concentrado na região metropolitana, não há condição de vida para peixes e a água não pode ser usada para lazer, irrigação ou consumo. Já na faixa considerada regular, é permitido o uso da água para abastecimento público, irrigação para produção de alimentos, pesca, atividades de lazer, turismo, navegação e geração de energia.

"Normalmente, aqui na nossa região, o nível de oxigênio do Tietê é de 4mg/l ou 6mg/l, bom ou excelente. Mas, quando chove forte em São Paulo, 72 horas depois, os níveis caem para 1 mg/l ou menos de 1mg/l. É algo grave", observa Palmesan, que acompanhou o JC por um passeio no trecho do rio nesta sexta-feira (20).

O levantamento indicou que a condição ambiental do Tietê está imprópria ao uso, com qualidade da água ruim ou péssima, em 28,3% dos 576 quilômetros de extensão monitorada - que vai da nascente em Salesópolis, na Serra do Mar (a 22 quilômetros de distância do oceano Atlântico) até Barra Bonita.

O avanço da mancha, segundo o relatório, reflete os impactos da urbanização intensa, da falta de saneamento ambiental, da perda de cobertura florestal, da insuficiência de áreas protegidas e do baixo registro de chuvas neste ano, que fez com que o rio diminuísse a capacidade de diluir poluentes e se recompor. No outro extremo, temporais atípicos em fevereiro e julho também causaram prejuízos, resultando na necessidade de abertura de barragens, com exportação de enorme carga de poluição, sedimentos e resíduos sólidos para toda a extensão do manancial.

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