Entrevista da semana

Esporte

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

O ala canadense Nick Wiggins estreou no Sendi/Bauru Basket há apenas um mês, porém, já mostrou que vai fazer a diferença para a equipe nesta temporada. O jogador de 28 anos foi eleito o melhor jogador - MVP - do Torneio Interligas, na qual o Bauru foi campeão na semana passada. O atleta estrangeiro vem tendo bom desempenho também durante os jogos do Campeonato Paulista e segue no elenco para a disputa do Novo Basquete Brasil (NBB), competição que começará em outubro e que Wiggins disputará pela primeira vez.

Natural de Toronto, ele tem uma família totalmente envolvida com o esporte. O seu pai, Mitchell Wiggins, foi jogador da NBA, a liga profissional dos Estados Unidos. Já a mãe de Nick, Marita Payne-Wiggins, foi uma atleta velocista, conquistando duas medalhas de prata para o Canadá nas Olimpíadas de Los Angeles, em 1984, uma no revezamento 4x100 metros e outra no 4x400 metros.

Se os pais conseguiram destaque no esporte, os filhos também parecem carregar no "DNA" o gosto pelas atividades físicas de alto rendimento. Um dos irmãos mais novos de Nick é o ala Andrew Wiggins, de 24 anos, selecionado no Draft da NBA em 2014 pelo Cleveland Cavaliers e atualmente jogador do Minnesota Timberwolves.

Nick Wiggins atuou em clubes da Alemanha, Nova Zelândia, Austrália, Macedônia, Argentina e Tailândia antes de chegar ao Dragão. O atleta, que está prestes a ser pai, ainda fala poucas palavras em português, mas se sente à vontade, uma vez que vários jogadores do elenco falam inglês.

A seguir, os principais trechos da entrevista com o simpático Nick Wiggins.

JC - Você nasceu em uma família que gosta de esporte. Os seus pais foram atletas de destaque e seu irmão também joga basquete. O quanto isso influenciou para decidir jogar profissionalmente?

Wiggins - O meu pai e a minha mãe foram atletas profissionais. Então, cresci vendo os dois treinando bastante e sempre destacando a importância de ter disciplina para conseguir sucesso no esporte. Acho que isso ajudou. Passei a ver que é preciso ter essa disciplina, saber trabalhar em equipe. Na infância, eu pratiquei vários esportes, como vôlei, atletismo e basquete. E, no colegial, acabei decidindo pelo basquete, até chegar a universidade e, depois, virar jogador profissional mesmo.

JC - O seu irmão, o Andrew, é jogador da NBA, certo?

Wiggins - Sim. E eu falo sempre com ele. Estou sempre conversando e torço muito pela carreira dele. Eu também participei do Draft da NBA. Sempre é um sonho de todo jogador chegar até a NBA, mas, atualmente, eu estou aproveitando também o esporte para conhecer outros lugares. Já joguei em vários países, como Alemanha, Austrália, Macedônia e, agora, estou no Brasil. E estou gostando muito daqui.

JC - Quais são as principais lembranças de sua infância?

Wiggins - O que eu lembro mais é da convivência com meus pais e meus irmãos. E dessa dedicação do meu pai e da minha mãe com o esporte. Como eu disse, essa parte da disciplina para atingir resultados, trabalhar forte sempre. Eu tenho cinco irmãos, são dois homens e três mulheres, e sempre estamos nos falando.

JC - Na sua carreira como jogador, quais momentos considera como mais marcantes?

Wiggins - Na universidade, antes de participar do Draft da NBA, disputei o Marc Mank, que é o principal campeonato universitário, com 64 times, e chegamos ao Final Four, entre os quatro melhores. Já como jogador profissional, pude atuar em vários países, mas acho que estou vivendo um bom momento agora. Cheguei em Bauru há um mês e pude ser MVP do Torneio Interligas. É algo bom porque as pessoas acabam vendo todo o seu esforço. Também estou gostando do time e das pessoas que trabalham na equipe, desde aqueles que fazem as funções mais simples até a diretoria.

JC - Já se adaptou bem em Bauru?

Wiggins - Estou me adaptando, eu não dirijo aqui. Uso bastante Uber para ir onde preciso. Gostei muito da comida brasileira, como arroz, feijão e as massas.

JC - E ao time? Como está sua adaptação?

Wiggins - Me adaptei bem ao elenco, todos os jogadores aqui tem muita vontade de vencer, e isso é ótimo. Vai ser a primeira vez que vou disputar o NBB. Ainda conheço pouco do campeonato, mas quem já participou, como o Larry e o Crescenzi, tem me falado um pouco mais. E, antes, acompanhava mais pela Internet. Sei que é uma competição forte, com jogadores que já passaram pela NBA e Europa. O que eu espero é ajudar Bauru a conquistar mais vitórias.

JC - Quais seus planos para o futuro no basquete?

Wiggins - Eu espero continuar jogando até quando minhas pernas não puderem aguentar mais (risos). Vou ter minha filha nos próximos meses, então, quero jogar para ter condições de dar uma vida boa para ela. O que eu quero é continuar treinando e jogando até quando eu puder.

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