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E se os amigos não morressem?

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 1 min

Ainda está em cartaz, em Bauru, o filme "Yesterday". Trata-se de uma comédia romântica sem grandes pretensões, mas com ótimo argumento. Na história, o protagonista, um compositor/cantor sem sucesso, sofre um acidente e acorda em um mundo em que, simplesmente, os Beatles não existem. Somente ele se recorda das canções mundialmente conhecidas dos "Garotos de Liverpool". A partir daí, tudo o que eu contar da película vira spoiler.

O filme é bem "mamão-com-açúcar" e não foi feito para suscitar grandes reflexões filosóficas, mas confesso que a premissa ficou ali, martelando na minha cabeça. Como seria acordar de um acidente em uma realidade paralela, aos moldes da teoria dos multiversos do físico britânico Stephen Hawking?

Há dez dias, perdi uma grande amiga. Após complicações na gravidez, ela, com apenas 34 anos, não resistiu. O amargor da perda precoce e inesperada de uma pessoa que transbordava amor ainda não se transformou naquela saudade bonita que vem com o tempo.

Talvez, foi isso o que me colocou a pensar sobre a teoria do filme. Que bom seria acordar em um multiverso no qual pessoas queridas que já partiram ainda estivessem ao nosso lado. Que feliz seria poder dar um telefonema, mandar uma mensagem, ouvir a risada, sentar em um boteco e tomar uma cerveja de garrafa com aqueles que nos fazem, hoje, tanta falta. Imagine uma realidade em que os nossos amigos não morressem! Talvez, isso seja a definição mais próxima do que seja o Céu.

Entretanto, por enquanto, o que nos resta por aqui é só mesmo esta lacuna áspera no peito. Lacuna que apenas deixará de existir de verdade quando todos nós estivermos juntos novamente.

E, tenho certeza (e fé), que esse momento chegará algum dia. Deixe estar.

Ou, como diriam os Beatles, let it be.

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