Internacional

Greta lidera denúncia contra Brasil

Gabriella Borter
| Tempo de leitura: 2 min

Nova York - A adolescente sueca Greta Thunberg e outros 15 jovens ativistas apresentaram nesta segunda-feira uma queixa ao Comitê dos Direitos da Criança da ONU, alegando que a falta de ação de líderes mundiais, incluindo do Brasil, em relação à crise climática violou os direitos das crianças.

Os jovens, com idades entre 8 e 17 anos e oriundos de 12 países diferentes, choraram ao apresentar a queixa na sede do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e deram relatos pessoais sobre como suas vidas e lares foram afetados pela mudança climática decorrente da omissão dos políticos.

"Os líderes mundiais não cumpriram o que prometeram. Eles prometeram proteger nossos direitos e não fizeram isso", disse Thunberg, que falou depois de fazer um discurso apaixonado nesta segunda-feira (23) na Organização das Nações Unidas (ONU).

Argentina, Brasil, França, Alemanha e Turquia são os países acusados de saber do impacto de suas emissões de carbono sobre o clima e não fazer nada para mitigar seus efeitos.

INSPIRAÇÃO

Os acusados são alguns dos maiores emissores de carbono dos 45 países que assinaram um protocolo que permite que as crianças busquem reparação sob a Convenção dos Direitos da Criança de 1989. Outros grandes emissores de carbono como os Estados Unidos e a China não assinaram o protocolo. Na sexta-feira, cerca de 4 milhões de pessoas participaram do que se chamou de greve climática global, inspirada em Greta Thunberg, de 16 anos, que iniciou uma greve semanal na escola em agosto de 2018 para tentar aumentar a conscientização sobre o assunto.

"Não permitiremos que tirem o nosso futuro. Eles tinham o direito de ter o seu futuro; por que não temos o direito de ter o nosso?", questionou Catarina Lorenzo, 12 anos, de Salvador, que está na cúpula.

O aquecimento global já levou a secas e ondas de calor, derretimento de geleiras, aumento do nível do mar e inundações, e cientistas dizem que a crise se intensificou desde 2015, quando os líderes mundiais assinaram o Acordo de Paris para combater o fenômeno causado pela emissão de gases estufa como gás carbônico.

Três das crianças que assinaram a petição e são provenientes das Ilhas Marshall pediram a líderes mundiais que visitem seu país para verem em primeira mão como o aumento do nível do mar está engolindo as ilhas do Pacífico central.

"Eu mostraria meu quintal", disse Litokne Kabua, 16 anos, que afirmou que o oceano avançou sobre as propriedades de sua família nos últimos anos.

A presidente das Ilhas Marshall, Hilda Heine, disse  que buscará a aprovação do Parlamento para declarar uma crise climática.

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