A boa música usa corriqueiramente as mudanças de estação para expressar esperanças e também analogias às alterações na vida. Setembro chegou e, com um pouco de chuva, parece que podemos falar em primavera. E também cantá-la. O equinócio pelo qual o planeta atravessou dia 23 de setembro nos faz lembrar que a Terra é redonda (!), por mais que os gurus oficiais afirmem o contrário, e que o eixo de rotação não está em ângulo reto com o plano do movimento elíptico ao redor do Sol. Se assim fosse, não haveria mudanças de estação e os lugares seriam sempre frios ou quentes. No hemisfério Norte, a mesma data marcou o início do outono, saindo do verão de lá.
Nossos antepassados sabiam dessas mudanças no calendário e toda a influência sobre os ciclos de chuva, calor e épocas para plantio e colheita. Sem contar as transformações nos próprios corpos. Aprenderam astronomia e geografia pela experiência e observação, os princípios da ciência moderna, que também está fora da agenda palaciana no momento.
As cidades estão comemorando o alívio da chuva depois de um período de seca muito extenso, intenso e pouco usual nessa época. Com as mudanças climáticas (também ignoradas por governantes), esses eventos ficam cada vez mais constantes. Porém, as chuvas poderão revelar o lado sombrio da urbanização que é a impermeabilização desenfreada de todo o solo, sem áreas de escape ou compensação. Enchentes, portanto, serão o próximo desafio. E não é por falta de conhecimento ou tecnologia que deixamos de fazer a água infiltrar. A especulação imobiliária e a ignorância - essa sim valorizada nos palácios presidenciais - impedem uma avaliação da ocupação a longo prazo.
A cada loteamento que se inicia, primeiramente surgem a colocação de guias de concreto, o asfaltamento das vias e a canalização de cursos d'água. A arborização e as áreas verdes, quando existem, serão a última coisa. É como preparar a mesa com lindos talheres e pratos, mas deixar para fazer a comida por último.