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Casa Branca tentou abafar conversa de Trump com presidente da Ucrânia

FolhaPress
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Washington - O Comitê de Inteligência da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos liberou na manhã desta quinta-feira (26) o documento com a denúncia contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que motivou a abertura de seu processo de impeachment. A denúncia mostra que a Casa Branca estava "profundamente perturbada" pelas ligações de Trump para a Ucrânia.

O documento traz a denúncia de que Trump usava "seu poder para solicitar interferência de países estrangeiros na eleição americana de 2020". Entre as interferências há a pressão feita pelo presidente para que outros países investigassem seus rivais no pleito. A denúncia aponta o advogado pessoal de Trump, Rudy Giuliani como uma figura central no caso e o Procurador-geral, William Barr é citado como "envolvido".

INTERESSES PESSOAIS

Segundo o texto, múltiplos funcionários da Casa Branca que tinham conhecimento da ligação entre Trump e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, em 25 de julho, informaram que o líder americano teria utilizado a chamada para tratar de "interesses pessoais". "Nominalmente, ele tentou pressionar o líder ucraniano a tomar ações para ajudar na reeleição presidencial de 2020", diz.

O denunciante, cujo nome ainda não foi identificado, afirmou ainda que, alguns dias depois da ligação, altos funcionários da Casa Branca se mobilizaram para "bloquear" todos os arquivos vinculados à conversa.

O pedido para que Zelensky prosseguisse com a investigação do ex-vice-presidente Joe Biden e seu filho Hunter Biden e a promessa de que Giuliani e Barr tratariam do caso aparece na denúncia.

LIGAÇÃO PERTURBADORA

O delator disse que os funcionários da Casa Branca estavam "profundamente perturbados" pela ligação entre os presidentes. Segundo ele, os advogados da Casa Branca estavam em discussão para decidir "como tratar a ligação por causa da probabilidade de terem testemunhado o presidente abusar de seu escritório para obter ganhos pessoais".

"Estou profundamente preocupado que as ações descritas abaixo constituam 'um sério ou escandaloso problema, abuso ou violação da lei ou da ordem executiva' que 'não inclui diferenças de opinião no que diz respeito a assuntos de políticas públicas', consistente com a definição de 'preocupação urgente'", diz o delator no documento.

VIAGEM CANCELADA

O documento também diz que Trump aconselhou o seu vice-presidente Mike Pence a cancelar sua viagem para a Ucrânia no dia da posse de Zelensky e ele próprio não iria conhecer o ucraniano até descobrir como Zelensky "escolheu agir".

Trump também teria pedido ao presidente ucraniano para investigar a empresa CrowdStrike, que foi contratada pelo comitê do partido Democrata para investigar invasão em seus computadores - o que mais tarde apontou a Rússia como executora. O denunciante disse ter ficado confuso pela obsessão de Trump com a empresa e porque a teria associado à Ucrânia.

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