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Bauru só faz transplante de córnea

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Cidade com quase 380 mil habitantes, onde estão localizados hospitais que atendem não apenas o município, mas toda a região, Bauru realiza apenas um tipo de transplante na rede pública: o de córnea, considerado o menos complexo deles. Na semana em que é celebrado o Dia Mundial do Transplante - oficialmente comemorado nesta sexta-feira (27) -, o JC traz uma reflexão sobre os motivos que levam a cidade a ter uma atuação tímida neste segmento, além de antecipar que, em um futuro não tão distante, este cenário poderá ser transformado.

Uma das novidades é que o Hospital de Base (HB) voltou a se credenciar no Ministério da Saúde para retomar os transplantes de rim na unidade. Segundo fontes ouvidas pela reportagem (que pediram para ter a identidade preservada), houve perda de interesse neste tipo de procedimento ao longo da década, depois que a gestão do Hospital Estadual (HE) - que realizou 35 transplantes de córnea, neste ano - e do HB foi assumida pela Famesp.

Entre os aspectos considerados, está a exigência de condições estruturais, materiais e humanas específicas, com necessidade de equipe multidisciplinar atuante e capacidade logística para realizar as cirurgias, em qualquer hora do dia, de acordo com os órgãos captados e disponibilizados dentro do Estado.

"Não há políticas públicas governamentais para estimular, financeiramente falando, a realização de transplantes no Brasil. Além disso, Bauru esbarra na insuficiência de leitos", pondera uma fonte que conversou com o Jornal da Cidade.

MOBILIZAÇÃO

De maneira geral, o índice de transplantes, incluindo os tipos mais complexos, tende a ser maior nas cidades onde existem os chamados hospitais-escola, como é o caso de Botucatu, Marília, Campinas e Ribeirão Preto. São unidades com perfil diferenciado, que tem foco na formação de novos profissionais na área médica.

"Nestes hospitais já estruturados, o que for feito, é pago pelo SUS, até porque existe interesse na realização do transplante. Por mais que seja um procedimento caro, o paciente deixa de ter as complicações que também custavam para o sistema de saúde. No longo prazo, é financeiramente vantajoso", aponta outra fonte.

A expectativa é de que, com a instalação do Hospital das Clínicas (HC) no antigo "Predião" da USP, devido à criação do curso de Medicina no câmpus da universidade em Bauru, um maior número de modalidades de transplante comece a ser realizado. Alguns dos especialistas, contudo, acreditam que a implantação destes novos procedimentos não ocorra dentro dos próximos dez anos.

Uma das entidades que já se mobiliza para reivindicar a consolidação do serviço na cidade é a Associação Paulista de Medicina (APM). Segundo o presidente da entidade em Bauru, o médico Marcos Cabello dos Santos, a intenção é que o HC, quando estiver funcionando, possa realizar transplantes de rim, fígado e coração.

"A intenção é aproximar todos os atores envolvidos no tema para começar a discutir o assunto. Além disso, precisamos conscientizar a população sobre a importância da doação de órgãos, já que o índice de recusa familiar, quando um parente morre, chega a 41%", completa.

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