Tribuna do Leitor

Cultura do Coração

Arnaldo Pinzan - Professor FOB e M.E.C.E da Paróquia Universitária S.C.J. - Tenho 3 sobrinhos na Inglaterra, uma sobrinha nos USA e 3 netos no Peru e todos têm iniciação musical nas suas escolas
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O projeto Cultura do Coração, criado pelo diácono José Rafael Mazzoni, da Paróquia Universitária do Sagrado Coração, cujo pároco, padre Leonildo Minucci Jr., tem como coordenadora a consagrada maestrina bauruense Sônia Berriel, que já encantou com seu coral milhares de pessoas nas suas apresentações, dispensando maiores comentários e elogios. Na sexta-feira dia 6 de setembro, apresentou nas dependências da Paróquia o Concerto da Independência, pela Orquestra Sinfônica Jovem de Lins, sob a batuta do maestro João Fernando Paluan.

Essa fantástica orquestra, composta de 60 músicos e de um coral de 25 vozes, apresentou músicas clássicas, onde o mestre de cerimônia historiava detalhadamente a época de composição, suas particularidades que enriqueciam a obra a ser executada.

Finalizou apresentando uma série de composições do maestro Antonio Carlos Jobim. O público ultrapassou uma estimativa de pelo menos 600 pessoas, e com entrada franca. A acústica da igreja foi anteriormente aprovada pelo maestro João Carlos Martins, o que muito contribuiu para a qualidade da apresentação. É muito diferente ouvir pessoalmente, pois não têm as interferências eletrônicas digitais contemporâneas. Foi um show acústico ao vivo, com a potencialidade real de cada grupo de instrumento, num equilíbrio perfeito e agradável.

Algumas músicas tiveram participações especiais de cantores que encantaram a plateia. Que vozes divinas. O que mais me encantou foi a primeira música Hino da Independência, que o maestro incentivou a todos cantarem juntos. Foi emocionante por dois principais motivos: o primeiro pela bela orquestração e segundo, ver o público em pleno 2019 cantarem esse hino com vigor. Conversando posteriormente com a maestrina Sônia e com o jornalista e radialista Pedro Norberto, tivemos a mesma sensação, pela participação ativa da plateia. Hoje não são mais ministradas aulas de música nas escolas, e talvez pela média de idade do público presente, que frequentou escolas onde essa matéria fazia parte do currículo, esse hino veio às nossas mentes naquele momento de forma tão presente. Talvez pelos meus 70 anos de vida, lamento que os jovens não são mais apresentados aos hinos Nacional Brasileiro, da Bandeira, da Independência, de São Paulo, da própria cidade que nasceu ou mora e canções como a do Expedicionário Brasileiro, hino da Marinha e outras belas obras musicais.

Quando a câmera da TV percorre os atletas perfilados em competições nacionais e internacionais, muitos deles nem "fingem" que estão cantando o hino naquele momento executado. Será como forma de protesto ou como puro desconhecimento? O mestre de cerimônia dessa orquestra nomeou os patrocinadores que levam o nome da cidade vizinha de Lins, para fora de seus limites e ao final foi renovado o convite para uma nova apresentação. Só repetimos aquilo de que gostamos. Esses patrocinadores, devem ser aplaudidos, incentivados e sermos agradecidos pela visão que têm sobre a importância da Cultura Musical. Bauru também luta bravamente para manter suas orquestras, que pelo número de público presente nas apresentações, parece não ser motivação para continuar a suas existências.

É como se preparar detalhadamente para uma grande festa e os convidados não comparecerem. Quem não lembra da Orquestra Veritas da USC, que se apresentou várias vezes, em diferentes locais, levando apreciadores da boa qualidade musical a comparecerem e aplaudirem aqueles músicos sensacionais. Música de boa qualidade sempre terá ouvintes, mas muitas vezes por falta de maior divulgação, o público é pequeno perante a grandeza do espetáculo.

Que tenhamos mais espetáculos com essa envergadura e maior interesse dos nossos bauruenses para outros eventos que já estão sendo trabalhados pela maestrina Sonia e colaboradores.

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