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Diversas batalhas por um sorriso

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Demonstrar verdadeira satisfação. Parece fácil colocar em prática um dos significados da palavra "sorriso", conforme mostra o dicionário. No entanto, pacientes diagnosticados com fissura labiopalatina precisam travar várias batalhas para fazê-lo. A pequena Júlia Ferreira, de 5 anos, saiu de Belém, no Pará, para se tratar no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da USP, em Bauru. Nesta sexta-feira (4), Dia Mundial do Sorriso, a instituição foi o palco do encerramento das atividades da 2.ª Semana Pan-Americana de Fissura Labiopalatina (leia mais abaixo).

Mãe de Júlia, a pedagoga Jucilene Ferreira, de 37, descobriu a condição da filha na gestação. "De imediato, pesquisei sobre o assunto. Na época, grávida de quase 7 meses, cheguei ao Centrinho, onde também aprendi muito", relata.

De acordo com ela, a criança mantém uma vida normal, mas viaja a Bauru, em média, três vezes por ano. Até o momento, a garota passou por três procedimentos cirúrgicos. "Vez ou outra, reparamos nos olhares das pessoas, mas sempre falamos que ela precisa se aceitar como é, porque tem um superpoder: a coragem", acrescenta.

Emocionada, Jucilene relembra o dia em que Júlia sorriu pela primeira vez. "Ela possuía fissura bilateral e, com 1 ano de idade, terminou a segunda parte da cirurgia. Quando saiu da sala, abriu um sorriso lindo: herdou a minha boca", brinca.

Portador de outro tipo de fissura, o estudante Lucas Gabriel dos Santos, de 11 anos, conseguiu rir bem antes de Júlia. "Aos dois meses, já dava gargalhadas", revela a mãe do garoto, a manicure Patrícia Aparecida Silva Santos, de 38.

Mesmo assim, Lucas viaja de Votorantim, onde vive com a família, para Bauru a cada 60 dias. O menino realizou quatro cirurgias, mas só deverá ter alta ao atingir a maioridade.

Nesta sexta, ambos os pacientes participaram de atividades lúdicas, uma das iniciativas da 2.ª Semana Pan-Americana de Fissura Labiopalatina. O evento também trouxe a Bauru a presidente e diretora executiva (CEO) da Smile Train, Susannah Schaefer.

PARCERIA

Há dois anos, a instituição, sediada em Nova Iorque, nos EUA, envia recursos ao Centrinho. Filantrópico, o órgão tem abrangência internacional, apoiando o tratamento da fissura labiopalatina em 90 países. Inclusive, Susannah alega estar impressionada com o serviço do Centrinho. "Fico feliz em ver que o orçamento encaminhado pela Smile Train, de fato, serviu para complementar as atividades".

Ela pontua, ainda, que a instituição está atenta ao desenvolvimento de novas tecnologias. "Hoje, existe tratamento à distância, via Internet, para problemas de fala", exemplifica.

Neste quesito, o Centrinho tem ações que podem ser tomadas de exemplo, como o Programa de Telessaúde, no qual os pacientes e profissionais de fora de Bauru recebem orientações online. Há, também, o Programa de Teleterapia Intensiva. Nele, as pessoas com fissura obtêm resultados de um ano em apenas três semanas intensivas de sessões.

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