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Bauru tem estudo inédito sobre o tema

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

A influência de smartphones, tablets e jogos eletrônicos no desenvolvimento da linguagem de crianças é, atualmente, objeto de estudo de pesquisadoras do departamento de fonoaudiologia da FOB/USP em Bauru. O trabalho, com este foco específico, é inédito no País.

A pesquisa, conduzida pelas fonoaudiólogas Maria Cecília de Freitas Ferreira e Simone Rocha de Vasconcelos Hage, foi iniciada há pouco mais de um ano e deve ser concluída até o final de 2019. Até o momento, já foram analisadas cerca de 30 crianças de um a três anos de idade, que estão inseridas na chamada primeiríssima infância, uma fase considerada crítica para a aquisição de vocabulário e desenvolvimento da linguagem.

Maria Cecília explica que, devido à onipresença de tablets e smartphones na vida contemporânea, o estudo busca comparar diferenças na capacidade de expressão verbal das crianças pequenas, de acordo com o período de exposição a estas telas portáteis. "As pesquisas internacionais mostram que os pais têm conversado e interagido menos com seus filhos, além de darem o exemplo do uso exacerbado de celulares. Nosso objetivo é verificar o impacto desse fenômeno para crianças brasileiras", aponta.

A pesquisadora relata que a primeira constatação feita pelo estudo foi o elevado índice de desinformação entre os pais sobre o melhor momento para introduzir eletrônicos na rotina dos filhos. Alguns, inclusive, chegaram a defender o acesso precoce a estes equipamentos como forma de estímulo cognitivo para as crianças.

VOCABULÁRIO

Embora a análise dos dados compilados ainda não tenha sido concluída, Maria Cecília antecipa que já detectou casos em que crianças expostas excessivamente a tablets e smartphones apresentaram vocabulário aquém do esperado para a idade. "É uma percepção subjetiva, ainda sem uma análise estatística. Mas é algo que nos preocupa, porque, neste período da infância, o vocabulário da criança evolui muito rapidamente", observa.

O filho de três anos da assistente social Michele Baroni Damasceno, 31 anos, foi um dos selecionados para participar da pesquisa. Segundo Michele, embora o menino não tenha apresentado atrasos na fala, a pesquisa a ajudou na orientação sobre como proceder sobre o acesso a telas portáteis.

"Ele teve contato antes dos dois anos, mas sempre por alguns minutos do dia e acompanhado de um adulto. Talvez, por esse controle, ele não teve qualquer prejuízo. Pelo contrário, o desenvolvimento dele foi classificado como acima da média", afirma.

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