Misteriosas manchas de petróleo que têm impactado o litoral do Nordeste desde o início do mês passado já ameaçam 600 filhotes de tartarugas marinhas que nasceram nas praias de Sergipe e Bahia e estão impedidos de ir ao mar, disse à Reuters um representante do Projeto Tamar, organização não-governamental que atua pela preservação da espécie.
O avanço das manchas de óleo tem sido acompanhado desde 2 de setembro pelo Ibama, mas a origem do produto ainda não foi identificada, segundo o órgão ambiental.
"Desde quinta-feira, a quantidade de óleo (verificada) foi tão significativa que, nos ninhos que estão nessa região, a gente está retendo os filhotes. Estamos com 600 filhotes aguardando para serem liberados", afirmou o engenheiro de Pesca do Tamar, Augusto Cesar Coelho.
O ministro de Meio Ambiente, Ricardo Salles, visitou Sergipe e realizou um sobrevoo nas regiões atingidas pela mancha de óleo, no início desta semana, segundo a assessoria de imprensa da pasta.
De acordo com mapa divulgado no domingo (6) à noite pelo Ibama, o óleo já se espalha pelas costas de Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, onde chegaram mais recentemente.
Uma análise feita pela Marinha e pela Petrobras apontou que a substância encontrada nos litorais trata-se de petróleo cru, ou seja, sem origem em qualquer derivado de óleo, sendo que a petroleira estatal apontou ainda que o óleo encontrado não é produzido pelo Brasil.
O Ibama ainda disse que investigação com apoio dos Bombeiros do Distrito Federal apontou que o petróleo que está poluindo todas as praias é o mesmo, embora a origem não tenha sido identificada até o momento.