Ang Lee gosta de experimentar novas tecnologias. Em "As Aventuras de Pi", pelo qual levou seu segundo Oscar de direção, todo o cenário e os animais eram digitais. Em "A Longa Caminhada de Billy Lynn", sobre um soldado que volta para casa depois de lutar na Guerra do Iraque, utilizou 120 quadros por segundo (em vez dos tradicionais 24) e 3D.
Lee volta a usar o mesmo recurso em "Projeto Gemini", que estreia nesta quinta-feira (10), mas com algumas complicações. Por exemplo, um Will Smith de 23 anos criado por uma combinação de captura de performance e animação. "Quero deixar bem claro que não é rejuvenescimento. Nós criamos um novo personagem, um jovem Will Smith."
Will Smith interpreta Henry Brogan, um matador, que um dia se vê caçado por um outro matador: uma versão mais jovem de si mesmo, um clone que atende pelo nome de Junior. "Precisava ser uma pessoa. Não um robô, mas um ser humano de verdade, um personagem realista", disse Lee.
Para Smith, foi um desafio como poucos em sua carreira. "Deu um pouco de medo, porque seus velhos truques não funcionam. Coisas que posso esconder em 24 quadros por segundo são impossíveis de disfarçar em 120 quadros por segundo. E com a câmera 3D toda tomada é muito próxima, então dá para ver cada poro. Se você fingir um momento, todo o mundo vai ver." Quando contracenou consigo mesmo, primeiro filmou todas as cenas como Henry, com outro ator - que estudou o Will Smith aos 20 e poucos anos - fazendo o papel de Junior. Depois, no fim, com a parafernália de captura de performance, Will Smith fez a parte de Junior. Há cenas de luta, inclusive, que foram feitas assim, só que com um dublê fazendo a parte de Junior, já que o rosto seria recriado pelos artistas da WETA Digital.
Para Ang Lee, o processo todo é diferente. "É preciso sentir as profundezas da vida, da emoção, e isso vai atingir o público."