Se há uma coisa que tem pressa na região gaúcha dos Campos de Cima da Serra, é o vento. Quando ele sopra, percorre as fendas dos desfiladeiros e atravessa paisagens onde estão as maiores (e talvez mais belas) cadeias de cânions da América do Sul. Mas apressado ali, só mesmo esse vento. Pensei nisso enquanto percorria uma trilha de campo aberto em Cambará do Sul (RS), com sol no rosto e coração acelerado, em agosto. Me dei conta de que, desde minha última visita à região, em 2004, muita coisa mudou por ali. Mas tudo num ritmo lento.
Naquela época, há 15 anos, quando a gente nem imaginava viajar com um smartphone como guia, todos os acessos tinham estrada de terra, onde geralmente buracos gigantes marcavam presença. Hoje, no município de Cambará do Sul, conhecido como a terra dos cânions (é a porta de entrada para os parques nacionais Aparados da Serra e Serra Geral) e principal destino para quem visita a região, o asfalto chegou, mas apenas para parte dos caminhos. Muitas vias rústicas que recortam as paisagens verdes e rurais ainda estão lá, assim como as pousadas que funcionam dentro da casa dos proprietários e o comércio, que geralmente fecha as portas na hora do almoço.
Talvez esse seja um dos principais encantos de um dos destinos mais bonitos do Rio Grande do Sul. Mas é preciso ter tempo para percorrer as distâncias até os principais desfiladeiros e serenidade para encarar a imensidão de paredes de pedra e contemplar o trabalho da natureza.
Praticamente intocada, com cânions gigantes, quedas d'água que brotam de paredões e vegetação em meio a cachoeiras, a região deve ampliar o número de turistas nos próximos anos. Isso porque está marcada para agora, em outubro, a definição sobre a concessão à iniciativa privada dos parques nacionais Aparados da Serra e Serra Geral. Ambos abrigam as atrações mais visitadas do Rio Grande do Sul: o Itaimbezinho e o Fortaleza, respectivamente.