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'Falhas da Saúde pesam na emergência'

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

A superlotação é um problema crônico dos serviços públicos de saúde na urgência e emergência. Para o coordenador-geral da Rede Brasileira de Cooperação em Emergência (RBCE), o médico Armando Antônio de Negri Filho, o setor funciona como um "para-raio" das deficiências da atenção básica e do sistema hospitalar. Em agosto, o profissional participou da Oficina de Discussão da Rede Regional de Urgência, promovida pela Faculdade de Medicina da USP, em Bauru.

De acordo com ele, os serviços de urgência e emergência estão sobrecarregados porque absorvem as falhas das demais áreas. "A atenção básica não dá conta da prevenção de toda a população e o sistema hospitalar não possui leitos suficientes", argumenta.

O médico afirma que o setor também sofre com o excesso da própria demanda. "À medida que a população idosa cresce, há uma pressão maior sobre a urgência e a emergência", completa.

Ainda segundo Armando, o poder público precisa encontrar um equilíbrio. "O planejamento consistiria na quantificação e caracterização dos pacientes. Assim, obteríamos uma projeção periódica do consumo", explica.

CÓDIGO AVC

O profissional exalta o chamado Código AVC como exemplo de uma organização bem-sucedida. Estabelecido pela Prefeitura de Bauru e pelo Departamento Regional de Saúde (DRS-6), o protocolo teve início em 2017.

Desde então, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) passou a regular o acesso de vítimas de Acidente Vascular Cerebral à unidade hospitalar de referência da cidade.

Seis meses depois da implantação, o procedimento reduziu pela metade o tempo de internação dos pacientes. "Os dois órgãos programaram um fluxo rápido, mostrando que é possível reordenar o sistema", observa.

Conforme informações do médico, também existe uma discussão sobre a instalação de células de regulação dentro do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), em Bauru. Com isso, instituições como o Samu usariam toda a estrutura de comunicação e informática da corporação, mantendo o sigilo necessário.

Por outro lado, o especialista adverte que nada deverá mudar sem investimentos maciços em infraestrutura e capital humano. Para piorar, o governo federal conseguiu, em 2016, a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do Teto, que limita o crescimento dos gastos públicos pelos próximos 20 anos.

'SUICÍDIO'

Falando nisso, o profissional condena a decisão. "É uma medida suicida e não se justifica sob o ponto de vista econômico, porque os gastos em Saúde não desaparecem, mas entram como uma espécie de motor econômico", acrescenta.

Com dinheiro em mãos, a área empregaria mais pessoas, criaria uma massa salarial maior e aumentaria o consumo. "Além disso, trabalha com uma cadeia imensa de provisão de insumos, medicamentos e serviços. Para se ter ideia, consumimos em torno de 11% do PIB em Saúde", finaliza.

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