Oslo - O prêmio Nobel da Paz para Abiy Ahmed, primeiro-ministro da Etiópia, coroa uma trajetória de conto de fadas para um dos maiores e mais importantes países da África. O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, ganhou nesta sexta-feira o Prêmio Nobel da Paz de 2019 por seus esforços de paz com a Eritreia.
Etiópia e Eritreia, inimigos de longa data que travaram uma guerra de fronteira de 1998 a 2000, restauraram as relações em julho de 2018, após anos de hostilidade.
O século 20 foi trágico para os etíopes, um povo orgulhoso, que nunca foi colonizado.
Invadida pelos fascistas na década de 1930 e submetida a um regime marxista fanático a partir dos anos 1970, a Etiópia virou sinônimo de pobreza e instabilidade. As imagens de crianças esquálidas, mostradas pela TV, chocaram a consciência mundial e levaram à mobilização de artistas pop que culminou no concerto Live Aid. A intenção pode ter sido boa, mas foi devastadora para a imagem de um país que teve dificuldades para se projetar como a nação dinâmica que é, dona de uma das culturas mais ricas da África.
É o único país africano que não usa uma língua europeia como seu primeiro idioma, mas sim o amárico, com seu alfabeto peculiar.
A traumática independência da Eritreia levou a uma guerra civil entre os dois países por questiúnculas de fronteira.
O regime se fechou durante o período do primeiro-ministro Meles Zenawi (1995-2012), uma figura carismática e vista com bons olhos em alguns círculos internacionais por reformas importantes que fez, sobretudo na área de desenvolvimento rural.
No poder desde o ano passado, Ahmed aproveitou-se da saída de cena de Zenawi (morto em 2012) e de um novo ambiente social e político no país, que tem uma população jovem e crescente e uma classe média estabelecida para selar a paz.