Barcelona - O Supremo Tribunal da Espanha determinou nesta segunda-feira a prisão de nove líderes separatistas catalães com penas de nove a 13 anos pela atuação numa tentativa frustrada de independência, decisão que desencadeou protestos em massa na região.
O aeroporto internacional de Barcelona se tornou o ponto central dos protestos. Enquanto milhares se reuniam na entrada, a polícia de choque reagiu usando cassetetes e disparando balas de espuma para evitar o risco de entrada forçada em massa. Duas prisões foram feitas.
BARRICADAS
A polícia afirmou no Twitter que manifestantes violentos estavam montando barricadas e atirando objetos contra a polícia. Segundo o jornal La Vanguardia, os serviços de saúde informaram que 37 pessoas precisaram de atendimento médico após os confrontos.
O caos resultou em mais de 100 voos atrasos e cancelamentos de voos, enquanto manifestantes no reduto separatista de Girona queimavam pneus nos trilhos do trem, interrompendo a conexão de alta velocidade entre Barcelona e França. Ferrovias e estradas regionais foram bloqueadas em vários locais da região nordeste.
FIM DA INDEPENDÊNCIA
Mais cedo, o primeiro-ministro interino Pedro Sánchez disse que a sentença significou a derrota do movimento de independência, cuja campanha causou a mais grave crise política da Espanha desde a morte do ditador Francisco Franco, quatro décadas atrás. Uma fonte do governo afirmou à Reuters que a situação estava sob controle, mas alertou que provavelmente continuaria perigosa pelo menos até o fim de semana.
"Esta sentença é um ataque à democracia e aos direitos de todos os cidadãos", disse o presidente do parlamento catalão, Roger Torrent. "Hoje somos todos condenados, não apenas 12" (três deles já haviam sido condenados anteriormente).
O caso está relacionado a um referendo de independência realizado em outubro de 2017, apesar de ter sido declarado ilegal pelos tribunais espanhóis e a subsequente declaração de independência, que teve vida curta.
A prisão mais longa - 13 anos - foi imposta ao ex-vice-líder do governo catalão, Oriol Junqueras. O tribunal o condenou e também a oito outros líderes sob acusação de sedição e quatro deles por uso indevido de recursos públicos.
Três outros réus foram considerados culpados apenas de desobediência e não sentenciados à prisão. Todos os réus foram absolvidos da acusação mais grave, rebelião.