Política

Reunião tenta paz em crise de poderes

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

Em reunião de portas fechadas, na tarde desta quarta-feira (16), interlocutores do governo Gazzetta dialogaram com o presidente da Câmara, José Roberto Segalla (DEM), e com o vereador Coronel Meira (PSB), autor de uma representação contra o prefeito. O encontro, que durou aproximadamente um hora, teve como objetivo tentar frear a abertura de uma Comissão Processante, em pedido que deve ser protocolado na sede do Legislativo até esta sexta-feira (18).

Conforme o JC noticiou, Meira diz que o prefeito descumpriu a Lei Orgânica do Município ao "proibir" o secretário de Obras, Sidnei Rodrigues, de comparecer em reunião que o vereador havia convocado na Câmara na última terça-feira para discutir asfalto no Jd. Nicéia.

Por volta das 14h desta terça, Toninho Garms, secretário municipal de Negócios Jurídicos, compareceu à Câmara acompanhado pelo o presidente da Emdurb, coronel Eliseu Eclair, e pelo secretário municipal do Meio Ambiente, coronel Airton Martinez.

Ao final da reunião, Garms disse que tratava-se de assunto interno e que nenhum dos três se manifestaria.

EXPLICAÇÃO

Meira conta que o grupo tentou explicar o que tanto Gazzetta quanto Sidnei já tinham alegado. Que houve equívoco na leitura e interpretação do ofício enviado pelo vereador chamando a reunião. O Executivo acreditava tratar-se de convite, não de convocação. E responsabilizou duas secretárias pelo engano.

"O Segalla até me pediu para relevar, mas reforçou que a decisão é minha", relata o vereador. "O prefeito nem se preocupou em aparecer ou me ligar desde que tudo aconteceu, só tem mandado interlocutores. Poderia ter sido diferente, mas eu seguirei com a representação", completa Meira.

Segalla sinalizou que irá acolher o pedido, se Meira assim decidir. "É ele que sabe a extensão do problema", diz o presidente.

'FALTA TATO'

O presidente da Câmara destacou que não é a primeira vez que problemas relacionados à má comunicação do governo com a Câmara acontecem.

"Falta tato e mais respeito com o Legislativo. Temos sabido de muita coisa apenas pela imprensa, porque não há um diálogo bom. É preciso um meio de campo melhor", cobra Segalla.

Gazzetta disse não ter ido à Câmara em razão de encontro de prefeitos, em Campos do Jordão. "Bauru precisa de mais trabalho e menos polêmica para seguir se desenvolvendo. Se o vereador quer seguir com isso, é direito dele, não tenho nada a declarar", pontua.

ENTENDA O CASO

Ofício enviado por Meira ao gabinete, em 10 de outubro, convocava Sidnei e mais três diretores da Obras para uma reunião com moradores dos bairros Jardim Niceia e Parque Giansant. O encontro visava dar garantias à eles sobre a aplicação de verba em pavimentação nos bairros, caso o Poder Executivo obtenha autorização para contratar financiamento de R$ 46,6 milhões.

Diante da falta dos representantes da prefeitura, Meira ligou para Sidnei, que disse ter sido "proibido" por Gazzetta de ir. A ligação foi gravada. O artigo 18 da Lei Orgânica do Município dá à Câmara a prerrogativa de convocar encontros. O artigo 52 da mesma lei, em seu inciso V, diz que o não cumprimento de leis e normas administrativas pode ensejar na perda de mandato do prefeito, o que, na interpretação de Meira, ocorreu.

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