Turismo

Pesca no mar - final


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O nosso badejo só perde para seu parente do oceano pacífico no tamanho. Lá o abadejo cresce mais, no entanto, o sabor da carne mantém a mesma identidade dos peixes. O piloteiro nos advertiu sobre a esperteza de nosso robalo, informando que eles moram nas locas da pedreira e delas saem ao avistarem a isca. Com a rapidez superior à seus semelhantes, em questão de segundo, o badejo deixa a loca, abocanha a isca e retorna à moradia. O pescador tem de fisgá-lo entre o engolir a isca e o retorno à local, por evidência, sem alguma visão desse movimento. Se pegá-lo nessa curtíssima oportunidade mas deixá-lo entrar na moradia, a linha do caniço faz um ele (L) e a dobra da linha começa a roçar na pedra a cada tentativa do pescador retirá-lo empinando a vara numa ação de vaivém vertical até a linha esgarçar-se e romper-se.

A lancha segura pela poita no mesmo lugar balançava mais se estivesse livre, navegando, sem a amarra, entretanto, não seria esse o modo apropriado de pescar robalo. Os caniços foram ativados e em pouco tempo começaram a confirmar a intuição do piloteiro. A lancha estava sobre o cardume robalo ao dar sinal de esticamento da linha com pouca força, porque mordiam levemente o camarão do anzol o que advertia não ser o exato momento de fisgar. A paciência do pescador estava a prova. Necessariamente teria de esperar um pouco mais, com acurada observação no movimento do peixe, desvelado pelo deslocamento da linha. A linha do meu caniço afundou várias vezes e a exceção de uma delas mostrou na sequência de golpes errados, fora do tempo, que faltava-me experiência na pesca do badejo. Consegui apenas uma vez, ser mais rápido que o peixe elevando a vara no momento exato, evitando que o badejo refugiasse na loca. Embarquei um badejo pequeno, pesando pouco mais de 1quilo, mas a ausência de destreza possibilitou muitos deles entrarem em suas locas, fazendo da linha o formato da letra L até romper-se de tanto esfregar na pedra. Darci, com mais experiência da pesca no mar, fisgou alguns badejos, não me recordo quantas unidades. Já o piloteiro Jânio deu uma aula de habilidade, embarcando 15 badejos e perdendo algumas fisgadas. Estava entardecendo e a caixa de isopor continha muitos robalos e badejos. Era preciso voltar para o rancho e desviscerar os peixes para levá-los ao congelamento porque seguiriam viagem para Bauru. Separados em dois lotes, um para cada pescador, seriam acomodados no congelador das residências para o suprimento das refeições por algum tempo. Afinal, não havia previsão de data para outra pescaria em Cananeia, pelo menos de minha parte e era preciso ter no congelador um estoque de peixe de primeira qualidade. Essa certeza certificava a garantia de quem o pescou.

Ficou combinado que no dia seguinte voltaríamos no morro bom abrigo para tentar a captura de mais badejos valendo-nos do aprendizado na pesca a performance do piloteiro Jânio. Na madrugada, o tempo mudou. Pela manhã o céu mostrou-se carregado de nuvens escuras que eram água a ser despejada a qualquer momento. Mesmo assim embarcamos na lancha e chegando na foz do canal já em pleno mar aberto, as impressionantes ondas pareciam advertir-nos do risco de prosseguir a jornada, desguarnecidos de meios a enfrentar com total desvantagem a fúria do mar revolto, o piloteiro resolveu por ele próprio voltar para o rancho, falando em tom de quem possuía voz e voto. Sua providência foi unânime, pois contou com a aprovação de Darci e da minha, receosos de avançar para a eternidade naquele cenário aterrorizante. Foi o último dia de pescaria e uma vez no rancho tratamos de arrumar as malas e tralhas para a viagem de volta no dia seguinte. De passagem novamente pela Serra de Paranapiacaba, as flores do acostamento da estrada observadas com os manacás da serra, todas ainda floridas no seu esplendor, saudavam aqueles que por ali passavam.

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