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A alarmante desigualdade de renda

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

A desigualdade de renda no País alcançou patamar não antes observado. Os dados são de 2018, os mais recentes divulgados pelo Instituto de Geografia e Estatísticas (IBGE). A situação da renda no Brasil é a seguinte: quase 104 milhões de brasileiros, portanto a metade mais pobre da população, viviam com apenas R$ 413 mensais, considerando todas as fontes de renda.

Na outra ponta somente 2,1 milhões de pessoas (1% mais ricos) tinham renda média de R$ 16.297 por pessoa. Isso indica que pequena parcela da população brasileira recebe cerca de 40 vezes mais que a metade da base da pirâmide.

Além desta distorção, chama a atenção o fato de 10,4 milhões de pessoas, o equivalente a 5% da população, sobreviveram, isso mesmo, sobreviverem com apenas R$ 51 mensais, em média. Quando a análise é ampliada para os 30% mais pobres, isto é, 60,4 milhões de pessoas, a renda média per capita sobe apenas para R$ 269.

O índice de Gini, que mede concentração ou descontração de renda (quanto mais perto de zero menos concentrada a renda, quanto mais perto de 1, mais concentrada a renda), subiu de 0,538 em 2017, para 0,545 em 2018, sendo o patamar elevado nos últimos anos. Comprovação que efetivamente a desigualdade de renda no Brasil é alarmante. Resumo: os mais pobres ficaram mais pobres, os mais ricos ficaram mais ricos.

Estes números deveriam ser estampados em letras garrafais em todas as esferas do setor público e, principalmente, aos políticos que insistem em lutar pelo seu curral eleitoral e não priorizam as reformas estruturantes necessárias para retomar e sustentar o crescimento econômico do País.

Também estes números devem servir de alerta para aqueles que ainda acreditam em modelos econômicos populistas, sem compromisso com austeridade fiscal, que foram utilizados a exaustão nos governos recentes, que levaram a dois anos de recessão e a dois anos e meio de baixo crescimento, jogando milhões de brasileiros na fila do desemprego e na miséria.

Considerando que a matriz macroeconômica indica que é preciso manter a inflação controlada, criar condições para o País crescer, com isso gerar emprego e ainda estabelecer distribuição justa de renda, fica evidenciado que os desafios atuais são de tamanha grandeza que cada dia que passa o abismo social fica mais evidente.

A todos os agentes econômicos, sejam eles do setor público ou privado: uma nação é construída com justiça social, constatar a desigualdade de renda e a sociedade em seu todo, e o setor público em particular, não agir na direção da reversão deste quadro é praticar um individualismo que não nos levará a lugar algum.

Precisamos nos indignar com a distorção de renda do Brasil e propor ações que promovem a justiça social.

É o mínimo a fazer.

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